Waack: Mercado duvida de Lula e das regras do Brasil
No desenho que nós brasileiros fizemos de nosso sistema de governo, os mais de 60 milhões de votos que Lula recebeu valem pouco num Congresso dominado claramente pela oposição de centro direita
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acordou nesta segunda-feira (26) após a noite de celebrações diante da dura realidade de que seu governo não desperta confiança nos agentes econômicos.
Ao contrário, a julgar pelos desastrosos números de juros futuros, depreciação do real, e destruição do valor de empresas na bolsa. Nenhuma surpresa, dada o fato de que Lula deixou para si mesmo uma perigosa armadilha fiscal, que ele passou a campanha sequer reconhecendo.
Na verdade, tornou-a pior.
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Publicado em 2026-10-27 00:00:00Venceu a eleição presidencial, mas perdeu a Legislativa no primeiro turno.
No desenho que nós brasileiros fizemos de nosso sistema de governo, os mais de 60 milhões de votos que Lula recebeu valem pouco num Congresso dominado claramente pela oposição de centro direita.
Por isso que agentes econômicos olham para um governo minoritário, diante de uma grave crise fiscal, e se perguntam o que vai acontecer com um presidente que chama de "babaquice" fazer superavit primário.
Tem mais ainda.
Lula voltará a depender de um STF (Supremo Tribunal Federal) envolvido na pior degradação institucional de sua história, que deu um exemplo de sua capacidade de produzir insegurança jurídica pouco mais de 24 horas atrás, com a canetada de um ministro prorrogando o prazo de votação.
Não, não é isso que decidiu a eleição.
Mas o que isso fez foi reiterar a pergunta, sempre repetida por agentes econômicos dentro e fora do Brasil, sobre quais são as regras do jogo e quanto tempo duram.
Quem manda nelas por último? Não sabem bem qual a resposta.