Waack: "Mar de lama" iguala candidatos na visão do eleitor
É péssimo para as próprias instituições quando acabam sendo vistas apenas como mais um ator político em tudo isso que está aí
"Mar de lama" é uma expressão bem antiga na política brasileira, vem lá da década dos anos 50, mas ganhou enorme atualidade na presente campanha eleitoral, na qual ao longo do eixo de polarização Lula-Bolsonaro um lado acredita ter mais lama para jogar do que o outro.
Do ponto de vista do eleitor, porém, as pesquisas indicam que eles enxergam uma coisa só. Um mar só de lama, que, segundo os especialistas em pesquisas, provoca um outro fenômeno.
Quando fica tudo parecendo igual, ninguém leva vantagem decisiva, pelo menos até aqui. Nessa situação, há um reforço para outra característica da campanha eleitoral, que também não é nova.
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Publicado em 2026-08-27 00:00:47Trata-se, no fundo, de um campeonato de rejeições, no qual as escolhas de voto são feitas sobretudo pela aversão ao outro e não tanto pela qualidade do candidato próprio, escolhido então unicamente por ser percebido como capaz de impedir a vitória do outro rejeitado. Não importa até onde a lama chega nele.
Até aí pode-se dizer que é tudo muito lamentável, mas que a política sempre foi e vai continuar assim. Para o Brasil a situação se complica – e muito – quando instituições de estado estão envolvidas.
Especialmente STF, que controla investigações de alto teor explosivo, e a Polícia Federal, que as conduz. Atribui-se a essas instâncias a capacidade de influenciar decisivamente eleições, a partir do fato de que podem acelerar ou frear investigações.
Isto só saberemos mais adiante. Mas um outro fato já está claro. É péssimo para as próprias instituições quando acabam sendo vistas apenas como mais um ator político em tudo isso que está aí.