Pesquisa aponta que 30% dos entrevistados veem a falta de segurança pública como principal problema do país. (Foto: André Borges/EFE)

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A violência segue sendo a principal preocupação dos brasileiros segundo a nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10). O levantamento aponta que 30% dos entrevistados consideram a segurança pública o maior problema do país há mais de um ano, superando temas como corrupção (19%) e economia (13%).

A percepção de falta de segurança da população é influenciada por fatores como a atuação de organizações criminosas em diversas regiões do país, a expansão de crimes contra a vida e o roubo de celulares rotineiro nas grandes cidades – muitas vezes com o uso da violência.

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A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho em 120 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07661/2026.

A questão da segurança pública representa um desafio adicional para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vez que a área tradicionalmente figura entre as principais demandas do eleitorado. Embora a responsabilidade constitucional pelo policiamento ostensivo seja dos governos estaduais, pesquisas de opinião mostram que parte da população atribui ao governo federal um papel relevante no combate à criminalidade.

Nos últimos meses, o governo Lula vem tentando ampliar as ações de enfrentamento ao crime organizado, com operações integradas entre forças federais e estaduais e propostas para fortalecer a cooperação entre os entes federativos. Entre as iniciativas está a PEC da Segurança Pública, que está engavetada no Senado após a aprovação na Câmara, e o plano “Brasil contra o crime organizado”, que destinará recursos a estados que aderirem.

O avanço da violência preocupa diretamente o Palácio do Planalto, já que influencia na preferência de voto da população em uma eleição em que Lula tentará seu quarto mandato. Isso, porquê, a questão da segurança pública historicamente ocupa posição central nos discursos da direita, que defendem o endurecimento do combate ao crime e o fortalecimento das forças policiais.

Embora a taxa de homicídios tenha apresentado uma queda de 11% no ano passado, a população continua sendo vítima frequente de roubos, furtos, golpes digitais, disputas entre facções e avanço do crime organizado para atividades além do tráfico de drogas, como lavagem de dinheiro, combustíveis, transporte, imóveis e serviços financeiros.

Há, ainda, a recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, com alcance transnacional e que representam ameaça à segurança regional.

Na prática, a classificação amplia a possibilidade de sanções financeiras, congelamento de ativos, bloqueio de transações e punições a pessoas ou empresas que forneçam apoio material às organizações.

O governo brasileiro rejeitou a classificação, o que pressiona ainda mais a avaliação negativa de Lula como uma certa conivência com essas organizações. O presidente afirmou que a medida afeta a soberania nacional e que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação entre autoridades policiais e judiciais dos países, sem interferência externa.

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