Vida global, carteira local: o paradoxo do investidor brasileiro
Com uma das carteiras mais concentradas em ativos domésticos do mundo, o investidor brasileiro ainda enfrenta o desafio de equilibrar o conforto do CDI com oportunidades do mercado global
Em um mundo globalizado, o acesso ao exterior não acontece mais de maneira pontual. Desde a rotina básica de consumo diária até movimentos internacionais, o consumo do brasileiro é, em parte, dolarizado. Segundo estudos da FG-V realizado em 2024, entre 16 a 18% do consumo do brasileiro está sujeito ao câmbio, mostrando que essa relação com o exterior deixou de ser pontual e faz parte do estilo de vida.
Quando o assunto é investimentos, porém, as fronteiras são visíveis. O Brasil está entre os países em que investidores apresentam elevado home bias, expressão usada para definir a preferência por manter a concentração dos investimentos no próprio mercado. Esse percentual ainda está abaixo do que apontam estudos sobre diversificação internacional, que sugerem uma alocação entre 16% e 18% em ativos no exterior para ajudar a reduzir os efeitos da variação cambial sobre o poder de compra.
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Publicado em 2026-09-25 18:14:03O CDI como motivador para baixa diversificação
Um dos fatores que mais influenciam a permanência do investidor brasileiro em ativos domésticos é a taxa de juros básica historicamente elevada no país. Se analisarmos a janela dos últimos 20 anos, por exemplo, a rentabilidade acumulada do CDI é de uma média anual composta de 10,25%. A depender do ano analisado, o CDI pagou taxas ainda mais elevadas – caso inclusive de 2026, que até setembro mantém um ritmo de aprox. 12,5% de rentabilidade no ano.
Além disso, quando comparado a outros mercados do mundo, o mercado brasileiro ainda apresenta níveis intermediários de rating e oferece riscos e menor oportunidade de exposição a setores e empresas relevantes do mercado global.
Diferentes mercados para diferentes cenários
O que vale observar é que, ao investir parte do patrimônio internacionalmente, o investidor passa a ter exposição a outras economias, moedas, setores e classes de ativos. Ou seja, a carteira deixa de depender exclusivamente das condições econômicas, fiscais e financeiras de um único país, reduzindo o risco sistêmico de uma única economia. Soma-se a isso a vida globalizada do investidor, que reforça a necessidade de uma estratégia de proteção da carteira.
Além da estratégia de proteção, a diversificação internacional também permite o acesso a oportunidades que não estão disponíveis, ou têm presença mais limitada, no mercado brasileiro, como por exemplo estrutura de produtos, setores, empresas e tendências, com um universo significativamente maior de ativos e estratégias.
“Investir internacionalmente vai além da proteção. É uma forma de acessar oportunidades que não existem no mercado local e participar das transformações que estão moldando o futuro da economia global. A diversificação internacional protege o patrimônio, mas, acima de tudo, amplia possibilidades”, é o que afirma Martin Iglesias, Especialista Líder em Recomendação do Itaú.
Isso não significa substituir os investimentos feitos no Brasil, mas combinar opções locais e internacionais de acordo com o perfil, os objetivos e o horizonte de tempo de cada investidor, alocando investimentos que reagem de diferentes formas aos variados acontecimentos econômico globais.
No Itaú Personnalité, investir internacionalmente não é tratado como uma estratégia complementar, mas como um componente de uma carteira realmente diversificada. Por isso, você encontra soluções de investimentos no Brasil e no exterior, aliadas a estratégias sofisticadas de alocação que consideram seu perfil e momento de vida, sem precisar desvendar o mercado global sozinho, contando com um time de especialistas em investimentos on e offshore que apoiam no acesso a mercados globais, diversificação de potenciais fontes de retorno, redução da dependência de uma única economia e dolarização do patrimônio. A proposta é permitir que a diversificação internacional faça parte do portfólio de maneira simples e cotidiana para quem já vive de forma cada vez mais global.
Esse percentual ainda está abaixo do que apontam estudos sobre diversificação internacional, que sugerem uma alocação entre 16% e 18% em ativos no exterior para ajudar a reduzir os efeitos da variação cambial sobre o poder de compra.