Veja 7 dicas para ser aprovado no programa Move Brasil
Além da aprovação na análise do governo, o motorista também deve passar pela aprovação do banco
O programa Move Brasil entra em vigor nesta sexta-feira (19), permitindo que taxistas e motoristas de aplicativo possam financiar carros zero-quilômetro com juros reduzidos, com uma linha de crédito de R$ 30 bilhões no total.
Mas ter o cadastro aprovado pelo governo é apenas a primeira etapa. A análise de crédito dos bancos é onde a maioria das tentativas pode travar.
"O programa subsidia o custo do dinheiro via BNDES, mas o risco continua sendo da instituição financeira, que adota critérios rigorosos", explica Ricardo Hiraki, consultor financeiro pessoal da Plano Fintech de Educação Financeira. Sua avaliação é direta: "A maioria das recusas vai acontecer na análise de crédito do banco."
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Publicado em 2026-06-19 06:42:19André Bobek, CEO da Mhydas Planejamento Financeiro, reforça o ponto: "Estar enquadrado nos critérios do programa não garante automaticamente a aprovação do crédito. O processo passa por duas etapas distintas: a análise de elegibilidade feita pelo governo e a avaliação de crédito realizada pela instituição financeira."
Conversamos com especialistas para entender quais são os principais cuidados a tomar frente a essas duas fases de análise. Veja a seguir algumas dicas:
1 - Atenção ao histórico na plataforma
A etapa governamental é feita digitalmente via Gov.br e o motorista precisa comprovar cadastro ativo há pelo menos doze meses na mesma plataforma e um mínimo de cem corridas no período. Segundo Hiraki, costuma ser mais simples, desde que o motorista não tenha descontinuidade no histórico de trabalho.
"O importante é não migrar de aplicativo às vésperas da solicitação, porque o governo cruza essas informações diretamente com a plataforma", alerta o consultor.
Para taxistas e cooperados, a orientação é garantir licença ativa e impostos em dia. "É um filtro de elegibilidade profissional, não de capacidade financeira, e costuma ser superado com facilidade por quem realmente vive da atividade", diz Hiraki.
Bobek acrescenta que taxistas devem manter "licenças, alvarás e registros atualizados, evitando pendências que possam dificultar o processo."
2 - Nome limpo é ideal
Com a elegibilidade garantida, começa a parte mais crítica. O primeiro passo é verificar a situação do CPF.
"Consulte seu CPF no Serasa e no Boa Vista. Se houver qualquer restrição, mesmo que pequena, quite ou faça um acordo de parcelamento. O banco dificilmente aprovará o financiamento se houver apontamentos ativos", orienta Franz Petrucelli, mestre em administração, contador e professor da Newton Paiva Wyden.
Hiraki vai na mesma direção: "A preparação deve começar meses antes: consultar o score e o CPF nos birôs, regularizar pendências e quitar ou renegociar dívidas em aberto." Ele também recomenda evitar novos empréstimos e não estourar o cartão de crédito no período que antecede o pedido.
André Bobek reforça: "Débitos em atraso, uso frequente do crédito rotativo ou excesso de parcelas em aberto podem comprometer a aprovação."
3 - Comprove a renda
Provar ao banco que tem renda suficiente e estável para pagar as parcelas é, por si só, uma dificuldade para os profissionais autônomos. "Bancos são conservadores com renda variável", resume Petrucelli.
Para contornar isso, ele recomenda os seguintes preparos:
"Tenha salvo os relatórios de ganhos mensais consolidados diretamente dos aplicativos dos últimos 3 a 6 meses; utilize extratos bancários da sua conta corrente, de preferência da conta onde você recebe os repasses das corridas; é importante levar a declaração de Imposto de Renda, caso você seja autônomo ou atue como MEI. Leve o documento mais recente."
Hiraki sugere construir um "rastro financeiro" consistente: "Receber sempre na mesma conta e guardar os extratos das plataformas, que funcionam como prova de renda." O CEO da Mhydas completa: "Concentrar os recebimentos em uma única conta bancária e apresentar extratos consistentes ajudam a fortalecer a análise de crédito."
4 - Vá ao banco onde você já tem relacionamento
A escolha da instituição financeira pode fazer diferença no resultado.
"A chance de aprovação é muito maior na instituição financeira onde você já movimenta dinheiro, tem chave Pix cadastrada ou já pagou outros cartões e empréstimos", aponta Petrucelli. "Os bancos parceiros oficiais cruzam dados históricos que facilitam a liberação do crédito."
O consultor, Ricardo Hiraki, também aponta que "movimentar a conta com os recebimentos das corridas aumenta as chances de aprovação."
5 - Calcule a parcela e pense na entrada
Segundo os especialistas, a parcela não deve comprometer mais do que 25% a 30% da renda líquida mensal.
Mas atenção ao que entra nesse cálculo. Ricardo adverte que a renda líquida deve ser calculada "sobre a média real de ganhos já descontados combustível, manutenção e dias parados", não sobre o faturamento bruto.
Ele complementa com um alerta quanto à entrada do veículo: "Como o risco é do banco, muitas instituições devem exigir entrada significativa, próxima de 30% do valor, o que, num carro de R$ 100 mil, representa cerca de R$ 30 mil, uma barreira concreta para boa parte da categoria."
6 - Atenção ao Custo Efetivo Total
Na hora de comparar propostas entre os bancos, André Bobek alerta para um erro comum: olhar só para o valor da parcela.
"O indicador mais importante é o CET (Custo Efetivo Total), que reúne todos os encargos da operação, incluindo juros, tarifas e seguros, permitindo uma avaliação mais precisa do custo real do financiamento."
Ele também lembra que a parcela é apenas parte do custo de ter um carro: "Além da parcela, entram na conta despesas como combustível ou energia, seguro, IPVA, manutenção, pneus, revisões, limpeza e depreciação."
Em complemento, Hiraki recomenda comparar o Move Brasil com outras alternativas antes de assinar: "Não tratar a aprovação como vitória automática, comparando o custo total do Move Brasil com o aluguel e o financiamento tradicional antes de assinar."
7 - Organize as finanças para não perder o carro
Aprovado o crédito, o trabalho de organização continua. Os especialistas recomendam tratar a parcela como custo fixo prioritário, manter uma reserva equivalente a três a seis parcelas para os meses de menor demanda e separar mensalmente um valor para IPVA, seguro e manutenção.
Para Bobek, a visão deve ser estratégica: "A principal recomendação é encarar o financiamento como uma decisão de negócio. Mais importante do que conseguir a aprovação é garantir que o crédito seja sustentável e compatível com a realidade financeira do motorista."