A partir desta segunda-feira (26), trabalhadores brasileiros podem utilizar parte do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar dívidas por meio do Novo Desenrola Brasil.

A medida, no entanto, levanta preocupações sobre os riscos de fragilizar a segurança financeira dos trabalhadores no longo prazo.

Juliana Inhasz, professora de Economia do Insper, avaliou que o Desenrola 2.0 segue a mesma lógica da primeira versão do programa

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“O que o Desenrola 2.0 faz é algo muito parecido com o que o Desenrola na primeira versão fez. Ele trata muito mais o sintoma do endividamento do que a causa“, afirmou.

Segundo ela, ao resolver o endividamento sem atacar suas origens, o programa abre espaço para que a população contraia novas dívidas em seguida.

Programa mais abrangente, mas com riscos

Inhasz reconheceu que o Desenrola 2.0 é mais abrangente do que sua versão anterior. No entanto, a professora demonstrou preocupação com a utilização do FGTS como instrumento de quitação de dívidas.

Para ela, embora exista uma lógica econômica em trocar uma dívida cara — como as de cartão de crédito ou cheque especial — por um recurso disponível no fundo, a realidade social impõe riscos sérios.

“Essa pessoa vai ficar eventualmente desassistida num momento de maior necessidade e esse é um risco social muito sério”, alertou.

A especialista também destacou que a população de baixa renda dificilmente conseguirá repor, por conta própria, o patrimônio retirado do FGTS após a quitação das dívidas.

“A gente está falando de uma população que muitas vezes está decidindo qual conta vai pagar”, pontuou Inhasz. Nesse cenário, a recomposição voluntária da reserva torna-se praticamente inviável, o que pode comprometer a segurança financeira do trabalhador no futuro.

Crítica ao uso recorrente do FGTS pelo governo

Inhasz criticou o que classificou como uso frequente e pouco criterioso do FGTS pelo governo para injetar recursos na economia.

“Isso aí pode estar armando uma bomba, que dali a pouco estoura e vai estourar no colo de quem é mais frágil, que nesse caso é o trabalhador”, advertiu.

Para ela, ainda que a medida seja economicamente viável em termos técnicos, “é importante que ela seja utilizada com muita parcimônia”.

Para a professora, a solução estrutural para o endividamento dos brasileiros passa por uma agenda de médio e longo prazo voltada ao aumento da produtividade e da renda.

“A gente precisa pensar em políticas que aumentem a produtividade”, disse, acrescentando que isso envolve também a resolução do problema fiscal, a redução das taxas de juros e a melhoria do ambiente de negócios.

Segundo Inhasz, forçar salários mais altos sem aumentar a produtividade não resolve o problema, pois o histórico inflacionário brasileiro mostra que os ganhos salariais acabam sendo consumidos pela alta dos preços.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/uso-do-fgts-pode-fragilizar-trabalhador-diz-professora/