A partir desta segunda-feira (26), trabalhadores brasileiros podem utilizar parte do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar dívidas por meio do Novo Desenrola Brasil.
A medida, no entanto, levanta preocupações sobre os riscos de fragilizar a segurança financeira dos trabalhadores no longo prazo.
Juliana Inhasz, professora de Economia do Insper, avaliou que o Desenrola 2.0 segue a mesma lógica da primeira versão do programa
Recomendamos para você
A verdadeira crise do Master está na Praça dos Três Poderes
Gilmar Mendes diz em entrevista que crise do Master está "na Faria Lima", mas foi em Brasília que ...
Publicado em 2026-05-25 21:21:00
MP sobre dívidas rurais ganha força e votação no Senado pode ser adiada
Impasse entre Fazenda, Senado e setor produtivo travou negociações sobre renegociação ampla das ...
Publicado em 2026-05-25 21:05:52
Audiência de instrução de Pedro Turra pode se estender até a madrugada; réu presta depoimento sobre morte de adolescente no DF
Pedro Turra passa por audiência para decidir se caso vai a júri popular Começou na manhã...
Publicado em 2026-05-25 19:28:33“O que o Desenrola 2.0 faz é algo muito parecido com o que o Desenrola na primeira versão fez. Ele trata muito mais o sintoma do endividamento do que a causa“, afirmou.
Segundo ela, ao resolver o endividamento sem atacar suas origens, o programa abre espaço para que a população contraia novas dívidas em seguida.
Programa mais abrangente, mas com riscos
Inhasz reconheceu que o Desenrola 2.0 é mais abrangente do que sua versão anterior. No entanto, a professora demonstrou preocupação com a utilização do FGTS como instrumento de quitação de dívidas.
Para ela, embora exista uma lógica econômica em trocar uma dívida cara — como as de cartão de crédito ou cheque especial — por um recurso disponível no fundo, a realidade social impõe riscos sérios.
“Essa pessoa vai ficar eventualmente desassistida num momento de maior necessidade e esse é um risco social muito sério”, alertou.
A especialista também destacou que a população de baixa renda dificilmente conseguirá repor, por conta própria, o patrimônio retirado do FGTS após a quitação das dívidas.
“A gente está falando de uma população que muitas vezes está decidindo qual conta vai pagar”, pontuou Inhasz. Nesse cenário, a recomposição voluntária da reserva torna-se praticamente inviável, o que pode comprometer a segurança financeira do trabalhador no futuro.
Crítica ao uso recorrente do FGTS pelo governo
Inhasz criticou o que classificou como uso frequente e pouco criterioso do FGTS pelo governo para injetar recursos na economia.
“Isso aí pode estar armando uma bomba, que dali a pouco estoura e vai estourar no colo de quem é mais frágil, que nesse caso é o trabalhador”, advertiu.
Para ela, ainda que a medida seja economicamente viável em termos técnicos, “é importante que ela seja utilizada com muita parcimônia”.
Para a professora, a solução estrutural para o endividamento dos brasileiros passa por uma agenda de médio e longo prazo voltada ao aumento da produtividade e da renda.
“A gente precisa pensar em políticas que aumentem a produtividade”, disse, acrescentando que isso envolve também a resolução do problema fiscal, a redução das taxas de juros e a melhoria do ambiente de negócios.
Segundo Inhasz, forçar salários mais altos sem aumentar a produtividade não resolve o problema, pois o histórico inflacionário brasileiro mostra que os ganhos salariais acabam sendo consumidos pela alta dos preços.