A 1ª fase do vestibular da Unicamp 2027 aconteceu neste domingo (18), com início da prova às 9h da manhã e fim às 14h, no horário de Brasília. No total, estavam inscritos 58.431 candidatos, que irão concorrer a 2.523 vagas, em 70 cursos de graduação.
O tempo máximo de duração do exame foi de cinco horas, com a aplicação de 72 questões de múltipla escolha, distribuídas entre as áreas de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa (12 questões), Matemática (12), História (7), Geografia (7), Filosofia (3), Sociologia (3), Física (7), Química (7), Biologia (7) e Inglês (7).
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Publicado em 2026-10-18 15:46:59A seguir, a CNN Brasil reuniu os principais destaques da prova, de acordo com especialistas. Confira.
Atualidades
Para Isabela Araújo Ramos, especialista em soluções educacionais do SAS Educação e graduada em Letras pela UFC (Universidade Federal do Ceará), um dos destaques da prova foram as questões de atualidades, envolvendo eventos mundiais e nacionais que aconteceram entre 2025 e 2026.
“Teve, por exemplo, uma questão em Química que abordou o Prêmio Nobel de Química de 2025 — uma reflexão sobre como o estudo de estrutura metal-orgânicas pode influenciar na captação de dióxido de carbono”, observa Isabela. “Também teve uma menção à questão das intoxicações por bebidas que aconteceu no final de 2025, e isso foi usado para falar de hemodiálise e sobre elementos na hemodiálise que fazem parte desta constituição e desse tratamento”, completa.
Em Geografia, houve menção a questões contemporâneas, como a geopolítica envolvendo China e Estados Unidos, e a relação com inteligência artificial. “Não pegaram um assunto macro, foram em um assunto específico para falar sobre militarização e o uso da IA, na perspectiva da oposição entre China e EUA em relação a esse tema.”
Nas questões de Língua Inglesa, o ator Wagner Moura foi citado, com uma entrevista dele e de Toni Morrison, que é referência da cultura e literatura, falando sobre a arte política. “É um jeito interessante de tratar temas e nomes da cultura, principalmente da cultura brasileira, de forma atual. No ano passado, caiu sobre o filme ‘Ainda Estou Aqui’. Este ano não citaram ‘O Agente Secreto’, mas usaram o Wagner Moura para falar de arte política, o que gerou uma questão interessante”, afirma Isabel.
Autorreferência
Os especialistas destacam, também, o fato de a Unicamp ter se autorreferenciado em diversas questões, principalmente nas disciplinas de Matemática, Física e Geografia.
“Nas questões de matemática, foram invocadas outras questões da prova da Unicamp anteriores, e mencionaram isso no próprio texto — como ‘Você que lembra disso da prova da Unicamp de 1987…'”, observa Luiz Guilherme Novais, especialista em soluções educacionais do COC e mestre em ensino de Ciências.
Isso também aconteceu em Geografia. “Mencionaram o logotipo da Unicamp, falando sobre como ele simboliza e representa a universidade, mas que também pode estar relacionado a uma representação espacial do campus da universidade. Cabia ao aluno entender o quanto de simbolismo e o quanto de representação espacial o símbolo da Unicamp evoca, tornando a questão bem interessante”, afirma Isabel.
Negritude e pautas antirracistas
Na prova, questões sobre negritude e pautas antirracistas também ganharam destaque. “Isso aparece tanto em Geografia quanto em Literatura atual, com discussão de autores canônicos, como Lima Barreto e Machado de Assis”, avalia Novais.
Em Ciências Humanas, foi abordado o Censo de 2022 e as mudanças na demografia étnico-racial brasileira, com a ascensão de pessoas que se autodeclaram pardas. “Querem discutir o que significa, se foi só o fenômeno da autodeterminação ou não. Isso é posto em reflexão dentro da questão”, afirma Isabel.
Fake news
Em Biologia, houve uma questão sobre fake news, trazendo uma manchete de uma notícia falsa sobre as vacinas de Covid-19. “É uma intertextualidade interessante, pois recorrem à manchete para falar sobre conteúdo biológico mesmo, acerca de biologia, vírus, etc.”, avalia a especialista.
“O negacionismo e as fake news apareceram em mais de uma questão”, afirma Novais.
Nível de dificuldade “mediano”
Para Novais, a primeira fase da Unicamp foi “uma prova mediana, nem muito difícil e nem muito fácil”.
“Algumas questões chamaram a atenção pelo nível de dificuldade, como, por exemplo, uma de matemática muito simples que envolvia apenas sistemas de equação sobre arrecadação de fundos com venda de pizza. Em contrapartida, outras estavam muito difíceis, como uma de matriz que pedia para calcular o determinante da matriz e transformar o determinante em um gráfico”, afirma o especialista.
Outra questão mais difícil, na visão de Novais, estava em Geografia, sobre o abastecimento de água no Sudeste. “Era preciso contrapor e analisar duas imagens ao mesmo tempo com informações diferentes, fazendo correlações”, explica.
“Outra pergunta difícil foi uma de Química, que mencionava a metabolização e absorção do medicamento chamado ‘isotretinoína’ no organismo”, acrescenta.