A UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) e a Bioenergia Brasil reagiram aos questionamentos feitos pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, sigla em inglês) sobre o acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro.
Em posicionamento divulgado nesta tarde, as entidades afirmam que a tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol importado segue as regras da Tarifa Externa Comum do Mercosul e não representa uma medida específica contra os Estados Unidos.
O posicionamento ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais envolvendo o setor de biocombustíveis e reforça o debate sobre reciprocidade no comércio agrícola e energético entre os dois países.
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Publicado em 2026-06-02 17:35:35Segundo as entidades, os próprios Estados Unidos mantêm há décadas mecanismos de proteção ao açúcar, por meio de tarifas elevadas e cotas de importação que limitam fortemente o acesso do produto brasileiro ao mercado norte-americano. Ainda de acordo com a nota, o volume permitido representa menos de 1% das exportações totais brasileiras de açúcar.
A UNICA e a Bioenergia Brasil também destacaram o papel estratégico do etanol brasileiro no cenário global de transição energética. As entidades ressaltam que o biocombustível produzido a partir da cana-de-açúcar é reconhecido internacionalmente pela baixa intensidade de carbono e pela capacidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes.
“O etanol brasileiro é uma das soluções mais eficientes para a descarbonização da mobilidade”, afirmam as entidades, citando ainda critérios auditáveis de sustentabilidade e contribuição para segurança energética.
O etanol vem ganhando protagonismo internacional diante da busca por combustíveis renováveis e da pressão global para redução das emissões.
As entidades também defenderam que eventuais divergências comerciais sejam conduzidas por meio do diálogo diplomático e das negociações bilaterais. Segundo a nota, a relação entre Brasil e Estados Unidos possui relevância histórica tanto para o agronegócio quanto para a agenda energética.
A expectativa do setor é de que o governo brasileiro conduza as negociações preservando os interesses estratégicos nacionais e evitando medidas que possam prejudicar a cooperação entre os dois países na promoção dos biocombustíveis.
O episódio reacende discussões sobre barreiras comerciais no setor agrícola e energético, especialmente em um cenário de crescente valorização global de produtos ligados à transição energética, como etanol, SAF e biometano.