Está prevista para essa semana a visita da comitiva europeia que chega ao Brasil para reavaliar o mercado de pescados, tanto da pesca quanto do cultivo e possível retomada as exportações.

As vendas para o bloco Europeu estão paradas desde 2018. Na época o Ministério da Agricultura decidiu fazer um “auto embargo” para que país se adequasse as exigências de auditores europeus. Um relatório apontou problemas sanitários em embarcações de pesca. E as exportações de todo setor, inclusive da aquicultura, foram suspensas.

“Do ponto de vista da tilapicultura, nós estamos bastante otimistas, porque se nós atendíamos as exigências em 2018, hoje estamos muito melhores em todos os aspectos, principalmente na sustentabilidade”, declarou Francisco Medeiros, diretor presidente da Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura) em entrevista a CNN Agro News.

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Medeiros afirmou que as duas empresas de tilápia, que serão vistoriadas pela comitiva, já operam com os melhores protocolos mundiais desde aquela época com inclusive certificações internacionais.

Essa é uma das várias pautas do momento para o setor de piscicultura. O cenário tem sido de desafios simultâneos: crescimento das importações de tilápia do Vietnã, a possível taxação pelos Estados Unidos e, sobretudo, a discussão sobre a inclusão da tilápia no rol de espécies exóticas invasoras pelo Ibama.

“A gente está com tantas dificuldades internamente que a possível taxação dos EUA é um assunto que acabou ficando na parte de baixo da prateleira”, avaliou o representante da Peixe BR.

Importações do Vietnã já afetam produção local

As importações de Tilápia produzidas no Vietnã crescem, em média, 10% ao ano. E esse avanço preocupa o setor.

“Nos primeiros quatro meses de 2026, o volume importado por São Paulo correspondeu a 30% da produção do estado no mesmo período. “Não significa que as pessoas comeram mais 30% de peixe. As empresas locais deixaram de vender 30%. As regras de produção, os subsídios e a questão tributária no Vietnã e na China são bem diferentes do Brasil. Enquanto eles recebem subsídios, a gente recebe mais impostos”, afirmou.

No dia 02 de junho o governo paulista anunciou a publicação de um decreto que estabelecerá uma alíquota de ICMS específica para o filé de tilápia importado. Francisco Medeiros explica que a medida ajuda, mas ainda está aquém do necessário. O setor pleiteava uma tributação de 18% sobre as importações. Com o decreto estado acatou 7%, igualando a alíquota paga pela indústria local que é de 7%.

“Antes os produtos vietnamitas entravam com alíquota zero. Ajuda, claro que ajuda! Mas ainda está longe do que a gente precisa”, completa Medeiros.

 

Inclusão da tilápia como invasora é o maior risco do setor

Francisco Medeiros classificou a possível inclusão da tilápia no rol de espécies exóticas invasoras pelo Ibama como “o maior risco para a piscicultura brasileira”.

A tilápia representa 70% do negócio de peixe de cultivo no Brasil e o risco se estende a outros peixes.

“Em março, o Ibama incluiu o pirarucu na lista de espécies exóticas invasoras. Um produtor do Espírito Santo foi notificado pelo órgão ambiental estadual a abater todos os seus exemplares em 90 dias, conforme a instrução normativa 07/2026. A partir do momento que a tilápia é incluída na lista de exóticas invasoras, o Estado brasileiro é obrigado a fazer o seu controle e a erradicação. Esse é um acordo que o Brasil fez junto com 187 países, relativo à biodiversidade. Se for incluído, efetivamente a gente deve ver a piscicultura no Brasil desaparecer”, reforçou Medeiros.

A avaliação foi prorrogada por mais 90 dias, o que Medeiros atribuiu à pressão exercida pelo setor e que o risco permanece.

“Para nós o risco continua do mesmo jeito”, acrescentando que o setor acompanha a tramitação no Senado de um projeto de lei, já aprovado na Câmara, que exige manifestação prévia do Ministério da Agricultura antes de qualquer medida que afete espécies com interesse econômico.

Possível taxação dos EUA também preocupa exportadores

A possibilidade de uma nova taxação pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros também está no radar do setor. A tilápia é o pescado mais exportado pelo Brasil, e o filé fresco tem forte competitividade no mercado americano.

Em 2025, as empresas absorveram o custo das tarifas e mantiveram o volume exportado equivalente ao de 2024. Medeiros informou que a decisão final sobre a nova tarifa é esperada para julho, e que, caso se confirme, o setor precisará buscar alternativas, como ampliar as exportações para o Canadá.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/uniao-europeia-visita-brasil-para-retomar-comercio-de-pescados/