União Europeia recebe com cautela novas tarifas impostas pelos EUA
Bloco considera resultado compatível com compromissos negociados anteriormente e espera manutenção da estabilidade nas relações econômicas transatlânticas
A Comissão Europeia recebeu com cautela as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos nesta sexta-feira (24), afirmando que o resultado está de acordo com um acordo comercial firmado entre os dois lados há um ano.
Os Estados Unidos impuseram nesta sexta-feira novas tarifas de 10% e 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia e a China, alegando que esses países não estariam adotando medidas suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
A União Europeia está entre o grupo restrito de parceiros comerciais dos EUA para os quais as novas tarifas não se somam às tarifas alfandegárias já existentes de "nação mais favorecida". As novas medidas também restabelecem isenções tarifárias adicionais para produtos europeus, como cortiça e diamantes, além das já aplicadas a aeronaves e peças, medicamentos genéricos e ingredientes ativos.
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Publicado em 2026-07-24 02:42:13"A UE observa positivamente o fato de que esse resultado está alinhado aos compromissos tarifários dos Estados Unidos acordados na Declaração Conjunta entre UE e EUA", afirmou um porta-voz da Comissão Europeia, acrescentando que a decisão cria um "impulso positivo" para continuar trabalhando na busca de novas isenções tarifárias e no aprofundamento da cooperação.
O porta-voz afirmou que a UE espera que Washington continue cumprindo os termos do acordo firmado no resort de golfe de Turnberry, na Escócia, pertencente ao presidente dos EUA, Donald Trump, em julho passado.
Pelo acordo, a União Europeia concordou em eliminar tarifas de importação sobre produtos industriais americanos, enquanto os Estados Unidos aplicaram tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus.
"Isso é essencial para continuar proporcionando aos nossos respectivos mercados a tão necessária estabilidade e previsibilidade", afirmou o porta-voz.
A União Europeia já havia rejeitado anteriormente as acusações dos Estados Unidos de que o bloco não estaria tomando medidas contra o trabalho forçado.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, questionou a justificativa de Washington para impor novas tarifas sobre produtos europeus, afirmando nesta sexta-feira (24) que as alegações de falhas do bloco no combate ao trabalho forçado não têm fundamento.
"Não se pode dizer isso da União Europeia", afirmou Kallas à Reuters, à margem das reuniões da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Manila.
"Se compararmos nossas leis trabalhistas com as dos Estados Unidos, temos férias remuneradas, temos condições de trabalho muito boas para nossos empregados. Portanto, essa justificativa realmente não tem fundamento", acrescentou.