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A foto de Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump virou a esperança de uma virada de página para uma pré-campanha que entrou em curto circuito desde que o portal The Intercept Brasil publicou uma matéria revelando conversas em que o senador pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para, supostamente, financiar o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde então o bolsonarismo convulsionou, Flávio foi surpreendido por desmentidos em série, outros pré-candidatos de direita o atacaram, e acabou trocando de marqueteiro. Há quem, no fundo do PL, deseje também trocar de candidato. Mas este é um cenário altamente improvável.
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Publicado em 2026-05-26 18:21:11Trump, afinal, ainda simboliza uma fortaleza ideológica da qual o bolsonarismo se nutre e se inspira. Mas imaginar que isso poderia significar alguma coisa para o público mais amplo, que é o que está abandonando Flávio, é ignorar uma realidade bem mais complexa
A ideia de Flávio encontrar com Donald Trump só tinha um objetivo: cativar uma militância ainda sem um roteiro narrativo coeso para justificar as conversas nebulosas com o banqueiro com quem ele antes negava qualquer contato. Trump, afinal, ainda simboliza uma fortaleza ideológica da qual o bolsonarismo se nutre e se inspira. Mas imaginar que isso poderia significar alguma coisa para o público mais amplo, que é o que está abandonando Flávio, é ignorar uma realidade bem mais complexa, que vai para além dos devaneios ideológicos puristas.
Trump não é popular. Nem nos Estados Unidos, em que Flávio não tem votos, muito menos no Brasil, onde ele está perdendo os que tinha. Um levantamento da Atlas/Bloomberg de 2025 mostra que 63% dos brasileiros têm uma imagem negativa do presidente americano. Trump fez sangrar os setores produtivos do capitalismo nacional, colocando milhares de empregos em perigo. Se associar com ele não é muito recomendável para quem busca retomar a liderança da corrida presidencial num país extremamente prejudicado por sua política tarifária.
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E mesmo que tal proximidade ideológica frutifique no próprio campo, (e, para tanto, nem há necessidade de fotos) nada apaga o que hoje atormenta e desgasta verdadeiramente o pré-candidato do PL. Em meio à viagem aos Estados Unidos, Flávio se deparou com outro constrangimento. Em uma entrevista na Globo News, Valdemar da Costa Neto tratou de dar outra versão para o encontro entre o senador e o banqueiro.
Poucos dias antes, Flávio havia dito, numa coletiva improvisada, que foi na casa de Daniel Vorcaro depois que este havia sido preso, apena para “botar um ponto final nessa história”. Costa Neto, entretanto, afirmou que ele “foi visitar para ver se conseguia o restante do dinheiro”.
Flávio recorreu a uma agenda internacional de última hora para recobrar a força política que foi soterrada pela sua proximidade com Vorcaro. Aconselhado pelos mesmos que comemoram quando Trump tarifou o Brasil, ele acha que mendigando um encontro com o presidente americano pode fazer o debate político esquecer que até esses dias ele mendigava dinheiro a um banqueiro envolvido numa ampla teia de corrupção. Ocorre que a crise não ficou no Brasil, foi de tiracolo com ele no bagageiro.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos