Trump critica Zelensky após ataque ucraniano à Rússia
Ofensiva desafiou exigência do republicano, que acusou o presidente da Ucrânia de "não querer encerrar a guerra"
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez duras críticas ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, neste domingo (18), após Kiev lançar um dos maiores ataques com drones contra a Rússia este ano, na noite de sábado (17).
A ofensiva, que atingiu um importante terminal petrolífero, desafiou a exigência do presidente americano, que instou o país a parar de atacar infraestrutura russa.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que Zelensky "não quer acabar com essa guerra, e provavelmente nunca quis".
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Publicado em 2026-10-18 22:04:26No post, o republicano também afirmou que não deseja tomar nenhuma medida que afaste a Rússia das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia, acrescentando acreditar que “grandes progressos estão sendo feitos”.
“Estou em processo de negociação de paz na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e não quero fazer nada que, de forma imprudente, afaste a Rússia da mesa de negociações”, escreveu Trump.
Tensões entre a Ucrânia e os EUA têm crescido nos últimos dias, gerando receios em Kiev de que o país possa perder um apoio essencial, justamente quando se aproxima mais um inverno sob ataques russos implacáveis.
O presidente Volodymyr Zelensky declarou ao programa “Meet the Press”, da NBC News, que um eventual alinhamento dos EUA com a Rússia seria um “erro histórico”.
Apesar disso, o presidente ucraniano informou que conversou, no domingo, com o enviado dos EUA, Steve Witkoff, e com o genro de Trump, Jared Kushner, como parte de uma “comunicação ininterrupta” voltada para o objetivo da paz.
“Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para que isso aconteça, e para garantir que a posição dos Estados Unidos seja forte e ajude a aproximar a paz”, publicou Zelensky na rede social X.
Contudo, a Ucrânia continua realizando ataques de longo alcance em território russo. O Ministério da Defesa da Rússia informou ter abatido 1.015 drones ucranianos entre a noite de sábado e domingo, em diversas regiões do país.
Um dos alvos foi o Terminal Petrolífero de São Petersburgo, segundo as autoridades russas.
O terminal tem capacidade para movimentar até 12,5 milhões de toneladas por ano. A empresa ucraniana Fire Point, fabricante dos drones utilizados na ofensiva, relatou a ocorrência de um incêndio nas instalações do terminal após o ataque. Um centro logístico em São Petersburgo também foi atacado, segundo a Ozon — uma empresa russa de distribuição —, assim como um centro de dados da rede social russa VKontakte.
Uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas nos ataques, que também causaram danos a residências, informaram as autoridades locais.
“Derrubaram um bem em cima de nós: houve um clarão intenso e tudo tremeu com muita força”, relatou à CNN um morador de São Petersburgo, de 41 anos.
“Ouvi um estrondo, tirei todo mundo da cama, peguei o gato e nos escondemos no banheiro”, contou outra pessoa.
Conflito se intensifica
Os ataques da Ucrânia ocorrem em um momento de deterioração na relação entre Zelensky e Trump — que, na semana passada, classificou as investidas de Kiev contra refinarias de petróleo russas como uma “vergonha”.
Há uma semana, Trump afirmou que a Rússia e a Ucrânia haviam concordado em cessar os ataques à infraestrutura energética uma da outra — uma tentativa da Casa Branca de aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e do diesel antes de eleições cruciais de meio de mandato.
Nem Kiev nem Moscou confirmaram a existência de tal acordo. A Ucrânia chegou a suspender brevemente esses ataques, mas os retomou na sequência; a Rússia, por sua vez, nunca parou de bombardear instalações energéticas e cidades ucranianas.
Segundo autoridades ucranianas, ataques russos com mísseis e drones deixaram 11 mortos e quase 50 feridos em todo o território da Ucrânia nas 24 horas que antecederam a manhã de domingo — incluindo o que descreveram como um ataque em larga escala contra instalações de energia na região de Odessa.
“Desde que o presidente americano anunciou, há uma semana, um cessar-fogo no setor energético, a Rússia atacou deliberadamente os setores de energia, petróleo e gás da Ucrânia 76 vezes”, escreveu Zelensky na rede social X, no domingo.
Trump suspendeu sanções sobre a importação de diesel russo e, na sexta-feira, recorreu a uma autorização especial que isenta a Rússia de amplas penalidades econômicas determinadas pelo Congresso dos EUA — uma medida que gerou críticas, inclusive por parte de membros do Partido Republicano.
Em entrevista à NBC News no domingo, Zelensky afirmou que essa isenção fortalece a guerra de Putin contra a Ucrânia, justamente em um momento em que Moscou enfrenta fracassos no campo de batalha. Segundo ele, trata-se de “mais apoio à agressão russa”.
Zelensky também reiterou que o acesso das forças armadas ucranianas ao sistema Starlink, utilizado para orientar drones de curto alcance e drones empregados no campo de batalha, continuava restrito.
“Foi uma mensagem do governo americano” no sentido de limitar a velocidade com que os drones ucranianos podiam voar, afirmou Zelensky.
A administração Trump negou ter ordenado a imposição de restrições ao serviço.
Zelensky relatou que o compartilhamento de informações de inteligência foi bloqueado pelo lado americano durante três dias, em meio a ataques com mísseis balísticos, mas que o acesso foi restabelecido posteriormente. As redes de satélites dos EUA têm desempenhado um papel fundamental ao fornecer às forças armadas ucranianas alertas sobre a aproximação de mísseis.
Uma fonte ucraniana informou à CNN que não houve aviso prévio antes de um ataque com mísseis balísticos a Kiev, no domingo. Esta é a terceira vez, em uma semana, que um ataque ocorre sem aviso prévio.
Zelensky também foi questionado sobre os comentários de Trump, segundo os quais seria mais difícil lidar com o líder ucraniano do que com o presidente russo, Vladimir Putin. Zelensky respondeu que é “melhor ter parceiros que sejam muito abertos e claros do que ter aqueles que são assassinos, mesmo que tragam um sorriso no rosto”.
Zelensky afirmou que deseja confiar em Trump e espera que ele mude sua postura em relação a Putin.
Ao ser perguntado se Trump seria um aliado da Ucrânia, Zelensky respondeu: “Espero que sim”.
(Com informações de Daria Tarasova, Julia Benbrook e Jennifer Hansler, da CNN)