Tropas britânicas treinam para invasão argentina às Malvinas, diz jornal
Treinamento incluiu caminhada noturna de 32 quilômetros e ataque anfíbio em meio ao agravamento das tensões entre Londres e Buenos Aires
Tropas britânicas vêm treinando para retomar as Ilhas Malvinas em caso de uma invasão argentina. Mais de 100 soldados britânicos se juntaram a reservistas locais para realizar um exercício de seis dias na região no início deste mês, segundo o jornal The Times.
O treinamento reproduziu acontecimentos da invasão argentina de 1982 e incluiu uma caminhada noturna de 32 quilômetros e um ataque anfíbio.
O comandante da companhia, major Nunkoosing, disse ao The Times que o treinamento deu aos soldados “a oportunidade de seguir os passos de nossos antepassados e ter uma pequena ideia do que eles enfrentaram para alcançar a vitória em 1982”.
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Publicado em 2026-10-14 05:01:30O exercício ocorre em meio à deterioração das relações entre o Reino Unido e a Argentina, após o presidente argentino, Javier Milei, colocar a disputa pelo território no centro do debate ao anunciar sanções contra empresas envolvidas na extração de petróleo nas proximidades das ilhas.
Na ONU, Milei classificou a exploração de combustíveis fósseis na região como “ilegal e ilegítima” e descreveu os moradores das Malvinas como uma população “implantada pela potência ocupante em um território cuja soberania é disputada”.
O que são as Ilhas Malvinas?
As Malvinas são um arquipélago no Oceano Atlântico Sul, situado cerca de 500 km a leste do território continental argentino e a aproximadamente 13 mil km do Reino Unido. Elas consistem em duas ilhas principais — Malvina Oriental e Malvina Ocidental — e 778 ilhas menores.
O primeiro desembarque registrado nas ilhas ocorreu em 1690, realizado pelo capitão naval inglês John Strong. A Grã-Bretanha assumiu a posse formal da Malvina Ocidental em 1765 e, embora a França e a Espanha tenham mantido assentamentos nas ilhas em diferentes momentos, os britânicos reafirmaram seu controle em 1833 e as administram desde então.
As Malvinas, com uma população de cerca de 3.660 habitantes, possuem sua própria assembleia legislativa eleita para gerir assuntos internos. A maioria dos moradores é de origem britânica, embora a população também inclua pessoas de Santa Helena, do Chile e das Filipinas.
Por que a Grã-Bretanha e a Argentina entraram em guerra pelas Malvinas?
A Argentina reivindica soberania sobre as ilhas argumentando que herdou o território da Espanha após a independência em 1816 e que a Grã-Bretanha assumiu o controle em 1833 por meio de um ato colonial ilegal.
O Reino Unido sustenta que os habitantes das ilhas têm o direito de decidir seu próprio futuro.
Em abril de 1982, o governo militar argentino, liderado por Leopoldo Galtieri, ordenou a invasão das ilhas, acreditando que a Grã-Bretanha não responderia com força militar.
No entanto, a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa naval e recuperou o controle após 74 dias de combates. A Argentina rendeu-se em junho de 1982, e a derrota acelerou a queda da junta militar argentina.
Ao todo, 649 argentinos morreram nos combates, assim como 255 militares britânicos e três habitantes das Ilhas Malvinas.
O conflito foi um momento decisivo para Thatcher, que enfrentava dificuldades no governo antes da guerra. A vitória foi celebrada com entusiasmo pela imprensa britânica e reforçou a confiança nas forças armadas, após um período em que seu poderio global havia sido amplamente questionado.
O conflito — e a reivindicação contínua do Reino Unido sobre as ilhas — gerou um profundo ressentimento na Argentina, que persiste até hoje.