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Imagine colocar notas de 100 dólares uma em cima da outra. Um milhão de dólares formaria uma pilha do tamanho de uma pessoa. Um bilhão seria um prédio de 300 andares. Um trilhão? Seria preciso amontoar mil desses prédios.
Foi a esse nível de riqueza que Elon Musk chegou quando a SpaceX estreou na Nasdaq (bolsa de valores), tornando-se oficialmente o primeiro trilionário da história, mais de 110 anos depois de John D. Rockefeller inaugurar a era dos bilionários.
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Publicado em 2026-06-10 08:05:47Mas, se a existência de bilionários já é alvo de críticas, o que dizer de um trilionário? Para uma parcela da esquerda, fortunas dessa magnitude não deveriam existir. A lógica dos esquerdistas é que se alguém acumula riqueza demais, é porque outros ficaram com menos. A pobreza, nessa visão, seria consequência direta da concentração de capital nas mãos de uma pequena elite. Mas será que a história realmente funciona assim?
A economia não é um jogo de soma zero. Essa é talvez a resposta mais importante para quem acredita que a existência de bilionários é a causa da pobreza.
Se os outros bilionários enriqueceram transformando a forma como vivemos o presente, Elon Musk enriqueceu tentando transformar o futuro
Em 1987, a Forbes contava 140 bilionários no mundo. Em 2025, esse número multiplicou por 20: passou a ser mais de 3000. No mesmo período, a pobreza extrema global não cresceu, despencou: caiu de 38% da população mundial em 1990 para 8,5% em 2024. Se a riqueza concentrada no topo estivesse de fato sendo retirada de baixo, esses dois gráficos andariam juntos, mas eles andam em direções opostas.
Ou seja: no último século a população mundial cresceu, o número de bilionários explodiu e, ao mesmo tempo, a pobreza extrema atingiu os menores níveis já registrados. Bilhões de pessoas passaram a ter acesso a alimentos, energia, saneamento, medicamentos, transporte e tecnologias que eram impensáveis para gerações anteriores.
Você, por exemplo, provavelmente está lendo este texto em um smartphone e talvez até trabalhe usando um. Quanto valor Steve Jobs criou para a sua vida ao ajudar a popularizar essa tecnologia? Sim, ele buscava lucro. Mas esse é justamente o ponto: ninguém compra um iPhone para enriquecer Steve Jobs. As pessoas compram porque enxergam valor no produto. O lucro é apenas a consequência.
Bill Gates ficou bilionário ajudando a colocar um computador em praticamente todos os escritórios do mundo. Jeff Bezos revolucionou as compras online, permitindo que produtos cheguem a sua casa com poucos cliques. Mark Zuckerberg criou uma plataforma que conecta pessoas instantaneamente, independentemente da distância. Todos ficaram bilionários criando produtos que facilitam o dia a dia de, justamente, bilhões de pessoas.
Mas, se os outros bilionários enriqueceram transformando a forma como vivemos o presente, Elon Musk enriqueceu tentando transformar o futuro. Ainda adolescente, era obcecado pela ideia de tornar a humanidade uma espécie multiplanetária. Guiado pelo sonho de colonizar outros planetas, fundou a SpaceX, ajudou a reduzir drasticamente o custo de acesso ao espaço e, no processo, criou tecnologias que geraram benefícios muito além de Marte.
A mais visível delas é a Starlink, uma rede de satélites que hoje leva internet a regiões remotas onde a infraestrutura tradicional jamais chegou. Do interior da Amazônia a comunidades isoladas ao redor do mundo, milhões de pessoas passaram a ter acesso à informação e oportunidades graças a um projeto que nasceu de uma ambição considerada impossível.
A tecnologia também foi utilizada para contornar bloqueios de internet impostos por regimes autoritários, como ocorreu durante os protestos no Irã em 2022, permitindo que cidadãos continuassem se comunicando mesmo diante da censura estatal.
E sem falar da Tesla. Quando Musk assumiu a empresa, carros elétricos eram vistos como veículos lentos, caros e pouco práticos. Hoje, praticamente todas as grandes montadoras do mundo investem bilhões na eletrificação de suas frotas.
E isso nos leva de volta à pergunta inicial. Talvez a pergunta esteja errada desde o início. A questão não é se Elon Musk deveria ser trilionário. A questão é se o mundo estaria melhor sem as empresas, tecnologias e oportunidades que o tornaram trilionário. Se a resposta for não, então sua fortuna não é a causa da pobreza de ninguém. É a consequência de ter criado algo que bilhões de pessoas consideraram valioso.
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