A Colômbia entra no terceiro dia após o terremoto devastador de magnitude 7,4 que atingiu o país na segunda-feira (10) e deixou ao menos 224 pessoas mortas. Enquanto isso, equipes de resgate correm contra o tempo para encontrar sobreviventes sob os escombros deixados pelo tremor.
Historicamente, as primeiras 48 a 72 horas após um terremoto são amplamente consideradas a janela “de ouro” para alcançar pessoas soterradas vivas; após esse período, as chances de sobrevivência sem uma fonte de água diminuem rapidamente.
Algumas equipes de resgate seguem a “regra dos quatro”, que pressupõe que pessoas presas podem sobreviver quatro minutos sem ar, quatro dias sem água e quatro semanas sem comida.
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Publicado em 2026-08-12 10:02:23No entanto, pesquisas sugerem que “prazos rígidos e universais” podem ser imprecisos, uma vez que a sobrevivência pode se prolongar em condições raras.
Após o terremoto de magnitude 7,8 que atingiu a Turquia e a Síria em 2023, pessoas continuaram sendo retiradas vivas dos escombros 10 dias depois do tremor, desafiando as expectativas de sobrevivência. Na Venezuela, um homem foi resgatado oito dias depois de dois grandes terremotos devastarem partes do país em junho.
Especialistas em emergências e desastres afirmam que vários fatores podem aumentar as chances de sobrevivência após a janela “de ouro”, incluindo se as pessoas presas têm acesso a oxigênio, água e alimentos.
O estado de saúde da pessoa também é fundamental, incluindo se ela sofreu ferimentos leves ou lesões graves em órgãos internos.
Além disso, pessoas com condições médicas pré-existentes — que podem ficar sem acesso a seus medicamentos ou cujos remédios causam efeitos colaterais como desidratação — apresentam menor probabilidade de sobrevivência, segundo especialistas médicos.
Buscas na Colômbia
As autoridades concordam que a prioridade é a busca e o resgate de sobreviventes. A Asocapitales (Associação Colombiana de Capitais) registrou 152 estruturas desabadas e milhares de casas danificadas.
No Valle del Cauca, cinco mil casas foram completamente destruídas, informou o governador. No município de Cali, pelo menos 239 pessoas estão presas sob os escombros, segundo o prefeito Alejandro Eder, que observou que 86 pessoas já foram resgatadas.
Na cidade de Pereira, até a noite de segunda-feira (10), 53 pessoas estavam presas em 58 estruturas desabadas.
A Cruz Vermelha ativou seu centro nacional de crise, com equipes de busca e resgate já mobilizadas nos departamentos de Antioquia, Quindío e Caldas. Um comunicado detalhou que 30 membros foram enviados para Chocó, uma das áreas mais atingidas.
Esforços entram no terceiro dia
Em Cali, uma mulher foi retirada de sob uma montanha de escombros na terça-feira (11), sob aplausos, enquanto bombeiros a carregavam em uma maca após uma complexa operação de resgate multinacional.
E em Pereira, uma equipe da CNN no local viu equipes de resgate e voluntários formarem uma corrente humana para remover os escombros e ajudar a salvar pessoas presas em um prédio de apartamentos.
“Há pessoas que se jogaram na água e você pode ver que estão vestindo de tudo, desde roupas esportivas até shorts e tênis — elas não estão preparadas para isso”, disse David Culver, correspondente sênior da CNN no local. “Temos visto cenas como essa por toda Pereira. Esta é uma das áreas mais atingidas.”
Mas no epicentro do terremoto de segunda-feira (10), em Chocó, um líder indígena disse à CNN que a ajuda ainda não chegou à região, a mais pobre da Colômbia.
Victor Chamapuro, líder da Reserva Indígena Wounaan “Buenavista”, no Litoral del San Juan, em Chocó, disse: “Todas as nossas casas foram destruídas”.
“Onde vamos dormir agora? Precisamos ficar alertas; estamos dormindo ao relento”, disse ele.
Chamapuro pediu às autoridades que enviem alimentos e remédios, dizendo que uma pessoa da comunidade ficou ferida.
A reserva “Buenavista” só pode ser acessada por barco, em uma viagem de cinco horas a partir do porto de Buenaventura, na costa do Pacífico da Colômbia.
Um vídeo enviado por Chamapuro da reserva mostra construções destruídas, aparentemente feitas de madeira e chapas de metal ondulado. Outras ainda estão de pé, mas com diferentes níveis de danos.
O terremoto é um dos primeiros grandes desafios para o novo presidente de extrema-direita da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo na semana passada e prometeu combater duramente grupos criminosos e militantes de esquerda no país.
Na terça-feira, De la Espriella anunciou medidas de auxílio econômico para os afetados pelo terremoto e apoio financeiro para pessoas que perderam suas casas, para que possam alugar moradias temporárias.