Tereza Cristina defende gestão orçamentária rigorosa
Ex-ministra sugere que União, Executivo e Legislativo sejam cobrados por resultados como o setor produtivo, evitando gastos desnecessários
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) criticou nesta terça-feira (25) a condução das contas públicas e afirmou que o desequilíbrio fiscal contribui para manter os juros em patamares elevados no Brasil. Segundo ela, o cenário tem impacto direto sobre o setor agropecuário, que enfrenta aumento do endividamento e de pedidos de recuperação judicial.
As declarações foram feitas durante o evento “Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade”, realizado em São Paulo. Promovido pelo Sistema CNA/Senar em parceria com o Estadão, o encontro apresenta estudos sobre sustentabilidade das contas públicas e desafios do mercado de trabalho.
“Não existe dinheiro que não venha de quem produz. O governo recebe dinheiro do setor produtivo, que é do povo brasileiro”, afirmou a senadora.
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Publicado em 2026-08-25 11:38:06Tereza Cristina disse que votou contra o arcabouço fiscal por considerar, desde sua aprovação, que a regra não seria capaz de garantir o equilíbrio das contas. Para ela, o crescimento das despesas acima dos limites estabelecidos pelo próprio governo e a adoção de medidas que classificou como “demagógicas e populistas” prejudicam a credibilidade da economia.
“As despesas do arcabouço fiscal crescem acima do limite que o próprio governo estabeleceu. Medidas demagógicas e populistas só trarão desequilíbrio econômico e falta de credibilidade, que mantêm a taxa de juros em patamares elevados”, declarou.
Na avaliação da senadora, o custo do dinheiro tem efeito especialmente negativo sobre os produtores rurais. Ela afirmou que as condições financeiras enfrentadas pelo setor são insuficientes e citou a escalada do endividamento e das recuperações judiciais no agronegócio.
“Juros altos encarecem e pesam no bolso do agricultor. Não é por incompetência ou mau gerenciamento, as condições dadas à agricultura são insuficientes. Estamos assistindo a uma tempestade nesse setor”, disse.
A ex-ministra da Agricultura também defendeu uma mudança na forma como os gastos públicos são administrados. Segundo ela, União, Executivo e Legislativo deveriam ser submetidos a mecanismos de cobrança e avaliação de resultados semelhantes aos enfrentados pelo setor produtivo.
“Temos um Estado que arrecada muito e gasta ainda mais e muito mal. A gestão do orçamento público do Executivo e do Legislativo tem que ser cobrada como o setor produtivo é, para alcançar resultados”, afirmou.
Produtividade e infraestrutura
Tereza Cristina também relacionou o crescimento da renda e dos salários à produtividade da economia. Segundo ela, o agronegócio foi o setor que mais avançou nesse aspecto, impulsionado por investimentos em ciência, tecnologia, eficiência e qualificação dos produtores.
“Sem produtividade, não há ganho na massa salarial ou ganho real na renda dos trabalhadores. Apenas o agro registrou ganho de produtividade com ciência, tecnologia, eficiência e qualificação do produtor rural”, afirmou.
Para a senadora, a qualificação profissional precisa estar acompanhada de investimentos em infraestrutura para que o país consiga reduzir gargalos e elevar a competitividade.
Ela citou como exemplo os problemas de logística envolvendo o Rio Tapajós, no Pará, e afirmou que a dragagem da região evidencia como deficiências de infraestrutura podem afetar o escoamento da produção agropecuária.
“Com infraestrutura melhor, superamos os gargalos que impedem esse avanço. No caso do Rio Tapajós, a dragagem promovida pelo setor privado e não executada foi um exemplo de como a infraestrutura afeta a logística do agro”, disse.
Ao defender o equilíbrio fiscal, Tereza Cristina afirmou que a organização das contas públicas poderia contribuir para a redução dos juros, estimular investimentos e gerar empregos.
“Contas públicas em ordem derrubam os juros, o que gera investimentos e mais emprego. O país não pode viver no improviso. Vivemos numa economia de bombeiros, onde apagamos incêndios”, concluiu.