Os juros futuros voltaram a chamar a atenção do mercado financeiro. Contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) com vencimentos mais longos se aproximam de 15% ao ano, enquanto títulos públicos indexados à inflação passaram a oferecer retornos superiores a IPCA + 8% ao ano em alguns prazos.

O movimento é acompanhado de perto por investidores, pois serve como um indicador das expectativas do mercado para os juros da economia nos próximos anos.

Embora a Selic seja definida pelo Banco Central, os contratos de DI refletem as apostas de bancos, gestoras e investidores sobre o comportamento futuro da taxa básica. 

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Para Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, os níveis atuais chamam a atenção. 

“Os DIs futuros possuem diferentes vencimentos negociados diariamente e funcionam como um termômetro do mercado”, explica. 

Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca que o patamar atual não era observado há mais de uma década.

“Isso acende um sinal de alerta, especialmente diante das incertezas fiscais, do risco eleitoral, do déficit público e do aumento dos gastos. Quanto mais tempo os juros permanecem elevados, mais cara fica a rolagem da dívida pública, o que acaba pressionando as contas do governo e comprometendo uma parcela maior do orçamento”, diz.

Ao mesmo tempo em que os juros elevados aumentam as preocupações sobre a economia, eles também ampliam o retorno potencial da renda fixa.

É o caso dos títulos públicos indexados ao IPCA, que pagam ao investidor a inflação do período mais uma taxa fixa previamente definida. Na prática, um papel que oferece IPCA + 8% ao ano garante a reposição da inflação e ainda um ganho real de 8%, desde que seja mantido até o vencimento.

Porém, esse cenário cria oportunidades, mas exige cautela por parte do investidor, avalia Thiago Godoy, educador financeiro.

“Por um lado, esse cenário favorece quem busca proteção contra a inflação e um retorno real bastante elevado. Por outro, é preciso ter cautela com a ideia de investir em títulos prefixados apenas para lucrar com uma eventual queda dos juros. Em um ambiente de maior incerteza e risco, esses papéis podem perder valor ao longo do caminho”, afirma.

A alta dos juros também afeta os preços dos títulos já emitidos. Quando as taxas sobem, os papéis prefixados comprados anteriormente tendem a perder valor no mercado secundário, conhecido como marcação a mercado.

Para quem pretende manter o investimento até o vencimento, no entanto, as oscilações de preço ao longo do caminho tendem a ter menor relevância, já que a rentabilidade contratada na aplicação é preservada. 

Godoy pondera que o cenário atual pode representar uma oportunidade para travar taxas elevadas por períodos mais longos. 

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/taxas-batem-recorde-em-meio-a-riscos-fiscais/