Tarifas complicam Brasil em relação a competidores, diz Lucas Ferraz
Ex-secretário de Comércio Exterior alerta que até 30% das exportações brasileiras podem ser taxadas em 37,5%, colocando o país atrás de concorrentes globais.
O Brasil pode enfrentar uma situação de desvantagem comercial significativa em relação aos seus competidores internacionais após a imposição de novas tarifas pelo governo norte-americano. A avaliação é de Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, em entrevista ao WW.
Segundo ele, o cenário atual representa uma tentativa de recomposição das tarifas que haviam sido canceladas pela Suprema Corte americana em fevereiro.
Ferraz explicou que, após a Suprema Corte dos Estados Unidos retirar de Donald Trump a possibilidade de utilizar determinada ferramenta para impor tarifas livremente, já se antecipava que as investigações do representante do comércio e da Seção 301 seriam utilizadas como forma de contornar a decisão judicial.
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Publicado em 2026-07-07 00:30:08"William, eu acredito que sim", afirmou Ferraz ao ser questionado sobre o assunto. Segundo ele, na sequência da decisão, Trump passou a utilizar outro dispositivo — a Seção 1-2-2 — adicionando tarifas de 10%, que vencem no final de julho.
Prazo de 15 de julho e acúmulo de taxações
O especialista destacou que o prazo final de 15 de julho coincide com a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma outra investigação relacionada a importações com produtos elaborados por trabalho forçado, que pode acrescentar mais 12,5% de taxação.
O acúmulo dessas medidas, caso se concretize conforme o esperado, resultaria em tarifas totais de 37,5% incidindo sobre uma parcela relevante das exportações brasileiras.
Brasil em posição desfavorável frente a concorrentes
Para Ferraz, o ponto mais preocupante não é apenas o nível absoluto das tarifas, mas a posição relativa do Brasil em comparação a outros países. "O Brasil, de novo, fica mal na fita relativamente aos seus competidores internacionais", declarou.
Segundo ele, se tudo ocorrer conforme o esperado, até 30% das exportações brasileiras serão afetadas por tarifas de 37,5%, enquanto a União Europeia e países asiáticos deverão enfrentar tarifas menores. "O Brasil realmente ficará numa situação muito complicada", concluiu o especialista.