A menos de dez dias do prazo para a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, as negociações entre Brasil e Estados Unidos enfrentam um impasse incomum: o governo brasileiro afirma não ter clareza sobre o que, de fato, os americanos exigem para destravar um acordo. A apuração é da âncora da CNN Débora Bergamasco junto a fontes que participam diretamente das conversas.
Segundo essas fontes, o USTR — órgão de comércio do governo americano — apontou seis temas considerados sensíveis, entre eles o Pix e a produção em áreas desmatadas. No entanto, o órgão não apresentou pedidos específicos.
Brasil faz ofertas sem obter resposta
Diante da ausência de demandas claras por parte americana, o governo brasileiro tem adotado uma postura propositiva nas reuniões.
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Publicado em 2026-07-06 16:51:54Sucessivamente, o Brasil apresenta possibilidades de mudanças, ajustes e concessões — como alterações em tarifas ou preferências para determinados setores — na esperança de extrair algum posicionamento dos Estados Unidos. Até o momento, porém, nenhuma dessas propostas recebeu resposta formal.
Na última quinta-feira (2), realizou-se mais uma reunião entre representantes dos dois países para tratar do tema. O Brasil apresentou, mais uma vez, uma série de propostas de ajustes. Os Estados Unidos, até o momento da apuração, não se manifestaram sobre o conteúdo oferecido.
Investigação da Seção 301 vista como “plano B”
Integrantes do governo brasileiro avaliam que a investigação conhecida como Seção 301, conduzida pelo USTR, seria, na prática, um instrumento alternativo para viabilizar juridicamente o tarifaço.
A interpretação é que, após a Suprema Corte americana ter proibido o modelo de tarifas anunciado anteriormente — que atingiu diversos países com alíquotas diferenciadas, penalizando fortemente o Brasil —, a investigação teria surgido como uma via juridicamente mais sólida para aplicar as mesmas medidas.
Além disso, fontes ouvidas por Débora Bergamasco indicam que o governo brasileiro acredita que a questão não é de natureza técnica, mas essencialmente política. A avaliação é que as tarifas refletem opções estruturais da gestão americana, como a política do “America First”, a estratégia de reindustrialização e o objetivo de aumentar a arrecadação por meio das importações.
Próximas reuniões e expectativas baixas
Para esta semana, estão previstas duas reuniões. A primeira, em nível técnico, reunirá funcionários dos dois países com o objetivo de tentar obter algum posicionamento americano. A segunda será realizada em nível mais elevado, entre o ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Jamieson Greer, representante máximo do USTR.
Apesar da expectativa de que essas reuniões tragam respostas às propostas brasileiras, o histórico das negociações não alimenta otimismo.
O governo brasileiro não acredita que os Estados Unidos desistam de aplicar as tarifas de 25%, embora reconheça que o prazo do dia 15 pode ser suspenso ou adiado. O cenário, por ora, segue indefinido.