A Bioinfood, startup de biotecnologia, conseguiu transformar a farinha de babaçu — um subproduto que até agora não tinha destino industrial — em um item proteico que pode ter uso na indústria de alimentos, em especial para hambúrgueres e outros produtos plant-based.
O produto foi criado em parceria com o ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos) e multiplica o teor proteico da farinha em mais de quatro vezes, de 1,5% para cerca de 7%.
Apesar de a startup não falar de projeções de faturamento, o projeto recebeu R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, por meio do Programa Biomas InovAmazônia do GFI Brasil como custeio inicial.
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Publicado em 2026-05-27 11:51:14O coco babaçu faz parte da cultura extrativista do Brasil, sobretudo do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. São aproximadamente 62 mil pessoas, principalmente mulheres, que vivem da atividade.
Por gerações, as quebradeiras de coco, coletam, quebram e beneficiam o fruto manualmente.
Apesar do potencial técnico da área disponível ser de 1,5 milhão de toneladas por ano, a produção atual mal passa de 4% desse total em razão da árdua atividade de coleta do fruto.
O principal produto da cadeia é o óleo, extraído da amêndoa. A farinha do mesocarpo — o que sobra — é praticamente descartada.
“É exatamente esse resíduo que a Bioinfood transformou em matéria-prima de alto valor. O projeto contou ainda com o apoio da Rede Terra do Meio do Alto Xingú, no Pará, que forneceu amostras e recebeu a equipe em visitas às comunidades”, destacou a startup, em comunicado.
A rede reúne 35 organizações de povos indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares, somando 9 milhões de hectares protegidos.
Como funciona a tecnologia
O processo combina seleção de cepas de levedura, hidrólise enzimática e fermentação em biorreatores automatizados. As leveduras convertem os açúcares da farinha em biomassa proteica — sem necessidade de novos cultivos ou desmatamento, assegura a startup.
A tecnologia já foi validada em escala laboratorial, com um protótipo de hambúrguer plant-based produzido e avaliado. Agora, a Bioinfood busca parcerias comerciais para escalar o piloto e torná-lo rastreável.
“Ao gerar um ingrediente proteíco alternativo, nosso projeto contribui diretamente para redução da dependência de proteínas de maior impacto ambiental e possibilita a diversificação das fontes de proteína vegetal, alinhada às estratégias de sustentabilidade e segurança alimentar”, destacou em nota Osmar Netto, co-fundador e líder do projeto na startup.
Para ele, além disso, a industrialização da farinha do babaçu estimula o uso total de espécies nativas, aumentando a renda da comunidade extrativista.
A bioeconomia em que se apoia a startup também mira um mercado internacional de alto valor: as proteínas alternativas devem alcançar US$ 88,8 bilhões até 2034, crescendo a 14,3% ao ano.
No Brasil, o setor movimentou R$ 1,13 bilhão em 2024, alta de 14% sobre o ano anterior, dado mais recente divulgado pela Bioinfood. Europa e Estados Unidos são clientes potenciais.
De acordo com a startup, o mesmo método de fermentação pode ser aplicado a outros coprodutos agroindustriais — farelo de trigo, milho e arroz, além de cascas de oleaginosas nativas como castanha-do-Brasil, macaúba e cupuaçu — ampliando o potencial da empresa.