Soja encerra semana em Chicago pressionada por safra dos EUA
Mercado acompanha o avanço da colheita recorde nos Estados Unidos, a concorrência sul-americana e as incertezas sobre a demanda chinesa
O contrato futuro da soja para entrega em janeiro encerrou a sessão desta sexta-feira (30) negociado a US$ 12,34 por bushel na bolsa de Chicago, com desvalorização de 0,04%.
Segundo análise da Granar, após quatro sessões consecutivas de perdas, os preços apresentaram uma recuperação moderada durante o pregão, apoiados por operações de hedge realizadas por investidores. Apesar disso, os fundamentos de mercado continuam pressionados pelo avanço da colheita recorde nos Estados Unidos e pela entrada da nova safra no mercado.
A fraqueza das cotações do farelo de soja ao longo da semana, em meio ao bom desempenho das vendas argentinas e à maior competitividade das exportações brasileiras, reduziu o suporte aos preços da oleaginosa norte-americana. A desvalorização do real frente ao dólar favorece os embarques brasileiros e amplia a concorrência com o produto dos Estados Unidos.
Recomendamos para você
Bruno Lery, coordenador de Gestão Ambiental da Globo, participa do encerramento do Consciência Limpa em Porto Velho
Projeto Consciência Limpa encerra com evento em Porto Velho A experiência de quem lidera i...
Publicado em 2026-10-30 17:04:30
CJ Selecta fecha crédito verde de R$ 155 mi para compra de soja certificada
Recursos serão usados na aquisição de grãos com origem rastreada e certificação socioambiental...
Publicado em 2026-10-30 16:05:24
Açúcar fecha em queda em Nova York e acumula perda de 4% na semana
Preços recuaram 0,56% nesta sexta-feira, pressionados por preocupações com as exportações brasi...
Publicado em 2026-10-30 16:00:13No cenário comercial, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmou duas novas vendas de soja da safra 2026/2027 para destinos não informados, nos volumes de 165,15 mil toneladas e 132 mil toneladas, respectivamente.
As operações alimentaram especulações sobre uma possível participação da China na demanda. No entanto, a ausência de confirmação oficial de novas compras pelo país asiático mantém os operadores cautelosos, especialmente diante da expectativa de retomada dos negócios entre os dois países e da importância do mercado chinês para as exportações norte-americanas.
Milho
O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou a sessão com desvalorização de 0,78% na bolsa de Chicago, negociado a US$ 4,47 por bushel.
Segundo análise da Granar, os preços do cereal seguem em trajetória negativa e caminham para completar a quinta semana consecutiva de perdas. Um dos principais fatores de pressão é a chegada da segunda maior safra de milho da história dos Estados Unidos, com a colheita ganhando ritmo nas principais regiões produtoras.
Os trabalhos no campo avançaram à medida que a colheita da soja, que havia recebido prioridade dos agricultores, se aproxima da conclusão. Com mais milho disponível no mercado, as perspectivas de oferta elevada aumentam a pressão sobre os contratos futuros.
Outro fator que limita uma possível recuperação das cotações é a perda de competitividade das exportações norte-americanas. A desvalorização do real frente ao dólar e a valorização da moeda norte-americana em relação ao euro tornam o cereal dos Estados Unidos menos competitivo diante de fornecedores de outras origens.
Apesar do cenário predominantemente negativo, a Granar não descarta movimentos de recuperação. Uma possível proteção cambial por parte dos fundos de investimento pode favorecer uma mudança de posicionamento no mercado, especialmente após a forte liquidação de contratos registrada nas semanas anteriores.
Trigo
O contrato futuro do trigo para entrega em dezembro encerrou a sessão com desvalorização de 0,04%, negociado a US$ 6,03 por bushel.
Segundo análise da Granar, os preços do cereal nos mercados norte-americanos seguem em trajetória negativa e caminham para completar a nona semana consecutiva de perdas. O movimento é influenciado principalmente pela liquidação de posições por grandes fundos de investimento, que continuam reduzindo sua exposição ao mercado.
Entre os fatores que também pressionam as cotações está a valorização do dólar em relação ao euro. O movimento reduz a competitividade do trigo norte-americano no comércio internacional e favorece a comercialização do cereal produzido pela União Europeia. Além disso, o início da colheita no Hemisfério Sul amplia a atenção dos investidores sobre a entrada de novos volumes no mercado.
No cenário geopolítico, as negociações diplomáticas para um possível cessar-fogo no Mar Negro e a autorização do governo russo para a circulação de embarcações no Mar de Azov, suspensa desde 10 de julho, também estão no radar dos operadores.
Apesar das iniciativas diplomáticas, as tensões entre Rússia e Ucrânia permanecem. Segundo informações divulgadas pela Rússia nesta sexta-feira, a Ucrânia realizou um ataque com drones contra a refinaria de petróleo de Novokuybyshevsk, na região de Samara. Relatos locais apontaram explosões e um incêndio nas instalações, consideradas importantes para a produção de gasolina, diesel e combustível de aviação.