SLC Agrícola: Restrições da UE são administráveis com novos mercados
Diretor presidente da companhia avalia ciclo de alta das commodities, impacto do El Niño e perspectivas do setor para 2027
O agronegócio brasileiro vive um momento de transição positiva, com sinais de recuperação nos preços das principais commodities após um ciclo de baixa que se estendeu de 2024 até meados de 2026.
A avaliação é de Aurélio Pavinato, diretor presidente da SLC Agrícola que participou do Fórum CEO Brasil, encontro que reúne lideranças empresariais para discutir desafios, tendências e oportunidades no ambiente de negócios do país.
Em entrevista ao CNN Cast, Pavinato destacou o papel estratégico do setor na produção de alimentos para a população brasileira e mundial. “O agro desempenha esse papel estratégico de alimentar a população brasileira e mundial. A população mundial cresceu na medida em que a gente foi capaz de produzir alimentos em abundância”, afirmou.
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Publicado em 2026-09-18 12:15:56Segundo o executivo, o agronegócio brasileiro é um caso de sucesso em evolução tecnológica e passou por uma verdadeira revolução produtiva nos últimos 50 anos.
Pavinato explicou que as commodities agrícolas operam em ciclos de alta e baixa e que o período recente de retração já começa a ser revertido. “Quando a gente olha os preços de todas as commodities — soja, milho, algodão, trigo, café, açúcar — elas já subiram de preço em relação ao patamar que estavam”, disse.
De acordo com ele, os preços dessas commodities já estão entre 15% e 30% acima dos níveis registrados no início do ano.
Apesar da alta nos custos de produção, especialmente dos fertilizantes, pressionados por conflitos internacionais, a perspectiva para o setor é positiva. “A expectativa é que 2027 será melhor do que foi 2026. Mesmo assim, a gente deverá ter um 2027 melhor do que 2026 para o setor como um todo”, projetou.
Tarifas, exportações e restrições comerciais
Sobre o aumento das tarifas internacionais, Pavinato afirmou que os efeitos são mais diretos sobre os produtos destinados aos Estados Unidos. Para os demais mercados, segundo ele, o cenário permanece favorável.
“O Brasil hoje não taxa as exportações, então as exportações são isentas. Isso é positivo para um setor como o agro”, destacou.
O executivo acrescentou que o Brasil exporta aproximadamente 50% de todos os grãos que produz, além de carnes, frutas e outros produtos.
Pavinato também citou as restrições de natureza ambiental impostas por países como Estados Unidos e integrantes da União Europeia como desafios que precisam ser administrados pelo setor. Nesse cenário, a estratégia passa pela abertura de novos mercados para compensar aqueles que eventualmente se fecharem.
El Niño e a nova safra
Pavinato abordou ainda os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção agrícola. No Brasil, o fenômeno tende a aumentar as chuvas na região Sul e a reduzir a precipitação no Centro-Norte.
“Quando se pensa em Brasil, a expectativa é de uma safra muito boa mesmo com o El Niño”, afirmou. Segundo ele, a região Sul, que normalmente enfrenta períodos de seca, deverá contar com condições favoráveis de precipitação durante a ocorrência do fenômeno.
No cenário global, porém, o El Niño já provoca impactos negativos, como a quebra da safra de milho na Europa e a escassez hídrica na Índia.
Para Pavinato, esse cenário pode provocar oscilações nos preços das commodities e criar oportunidades para os produtores que acompanham de perto o mercado. “Quem trabalha nesse mercado tem que estar acompanhando isso e aproveitando as oportunidades para vender quando o preço sobe”, concluiu.