Silveira cita Serra Verde ao defender “controle” sobre minerais críticos

Ministro diz que projeto aprovado na Câmara dará ao governo poder para “controlar” mudanças de controle acionário em empresas do setor

Gabriel Garcia, , Brasília

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu nesta sexta-feira (10) a tramitação, no Senado, do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e afirmou que o texto aprovado pela Câmara dos Deputados dará ao governo instrumentos para “controlar” mudanças de controle acionário em empresas que atuam no setor.

A declaração foi dada durante reunião no Palácio do Planalto sobre minerais críticos e estratégicos, convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro reuniu ministros, pesquisadores e integrantes do setor mineral.

Silveira citou o caso da Serra Verde, produtora de terras raras em Goiás, ao defender que o poder público tenha mecanismos para acompanhar e homologar operações consideradas sensíveis.

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“O projeto que vai nos dar soberania sobre nossos materiais, pois, de forma clara, propõe formas de desenvolver essas cadeias no nosso país. Ele nos dá o direito de homologação de mudanças do controle acionário, como aconteceu agora em Goiás”, disse Silveira.

Segundo o ministro, o governo tomou conhecimento da operação envolvendo a Serra Verde pela imprensa. Para Silveira, esse tipo de situação mostra a necessidade de instrumentos formais para que o Estado acompanhe alterações societárias em ativos considerados estratégicos.

“Com o projeto, vamos poder controlar a mudança acionária das empresas que queiram investir no Brasil”, afirmou.

A venda da Serra Verde virou um sinal de alerta dentro do governo. A companhia, que opera o projeto Pela Ema, em Goiás, é o único empreendimento de terras raras em atividade comercial no Brasil, grupo de minerais usados em ímãs permanentes, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.

Em abril, a americana USA Rare Earth anunciou um acordo para adquirir a Serra Verde em uma operação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. O negócio passou a ser tratado no governo como exemplo da vulnerabilidade brasileira em uma cadeia mineral estratégica.

O caso também deu força ao debate sobre a criação de um conselho nacional para minerais críticos. Pela proposta aprovada na Câmara, o órgão ficará vinculado à Presidência da República e terá atribuições para definir projetos prioritários, estabelecer critérios de enquadramento, acompanhar operações sensíveis e estimular a agregação de valor no país.

Na prática, a proposta amplia o poder do governo sobre minerais críticos e estratégicos ao criar uma instância capaz de interferir em decisões hoje conduzidas majoritariamente pelo mercado. A mudança pode atingir compras de ativos minerais, alterações de controle acionário, contratos de offtake e operações com empresas estrangeiras em cadeias consideradas essenciais para a soberania nacional.

Mineradoras, especialmente de pequeno e médio porte, criticam esse ponto e afirmam que qualquer poder de veto, homologação ou controle precisa vir acompanhado de critérios objetivos. O argumento do setor privado é que regras pouco claras podem aumentar a insegurança regulatória, atrasar projetos e dificultar a atração de capital estrangeiro para empreendimentos ainda em fase inicial.

Silveira, no entanto, defendeu que o texto é necessário para que o Brasil não continue apenas exportando matéria-prima. Segundo o ministro, a política deve servir para organizar a cadeia produtiva, estimular beneficiamento local e garantir que decisões sobre ativos estratégicos passem por algum nível de acompanhamento público.

A discussão ocorre em meio à tentativa do governo de formular uma estratégia nacional para minerais críticos, em um momento de disputa global por insumos usados na transição energética, na indústria de defesa e em tecnologias de ponta.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/silveira-cita-serra-verde-ao-defender-controle-sobre-minerais-criticos/