Setor portuário pede regulamentação do licenciamento ambiental

ATP envia carta aberta aos presidenciáveis defendendo dragagens constantes e melhoria dos acessos terrestres aos terminais portuários

Jenifer Ribeiro, , Brasilia

Em carta aberta aos candidatos à Presidência da República, a ATP (Associação de Terminais Portuários Privados) pede que o próximo governo avance na regulamentação e implementação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental.

Sancionada em agosto de 2025, a lei estabeleceu normas gerais para o licenciamento de atividades e empreendimentos que utilizem recursos ambientais ou tenham potencial de causar degradação ambiental. O texto teve vetos parciais do governo.

No final de 2025, entidades ambientais e o PSOL apresentaram ação no STF (Supremo Tribunal Federal) contestando a constitucionalidade dos trechos vetados pelo presidente da República. Desde então, a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) segue sem votação na Corte. O atraso na apreciação do tema se agravou após a crise que atravessa o STF.

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Na avaliação da entidade, a implementação efetiva da legislação é necessária para dar mais previsibilidade aos processos de licenciamento e reduzir incertezas para projetos de infraestrutura portuária.

O setor de infraestrutura de transportes como um todo já encaminhou alguma solicitação ao Executivo sugerindo o avanço do tema como uma forma de destravar investimentos.

Na carta, a associação também defende a definição de regras nacionais para a aplicação da Convenção nº 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), especialmente sobre a identificação das comunidades envolvidas e o momento das consultas.

Dragagem e acessos

Entre as prioridades apresentadas pela associação está a realização regular de dragagens de manutenção nos canais de acesso e nas hidrovias. A ATP também pede investimentos nos acessos rodoviários e ferroviários aos complexos portuários e a conservação das estradas utilizadas pelos terminais.

Segundo a entidade, os gargalos de acesso e as limitações de capacidade dos corredores logísticos aumentam os custos de transporte e dificultam o aproveitamento da infraestrutura portuária já instalada.

“Os portos conectam a produção brasileira aos mercados e dependem de uma infraestrutura que funcione também fora dos seus portões. Precisamos que os candidatos assumam o compromisso de melhorar os acessos e garantir segurança jurídica para novos investimentos”, afirma Murillo Barbosa, diretor-presidente da ATP.

Os terminais de uso privado atendem cadeias como agronegócio, mineração, petróleo e gás, siderurgia, contêineres e carga geral.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/setor-portuario-pede-regulamentacao-do-licenciamento-ambiental/