El Niño deve mudar o clima com mais chuva e temporais frequentes. (Foto: Gilson Abreu/AEN-PR)

Com o estado de alerta climático já decretado em Santa Catarina e projeções que indicam alta probabilidade de chuvas intensas e alagamentos nos próximos meses em razão de um possível El Niño, o general Ricardo Miranda afirmou, em audiência pública na Assembleia Legislativa (Alesc), realizada na última sexta-feira (22), que o desafio é transformar o reforço orçamentário em ações concretas para reduzir riscos.

“Estamos dobrando o orçamento da Defesa Civil para R$ 330 milhões e, em paralelo, mobilizando os municípios, porque são eles que realizam o primeiro atendimento e a primeira assistência à população. Precisamos nos preparar para aquilo que consideramos a pior hipótese, que é a confirmação do El Niño”, disse o secretário-adjunto.

A audiência pública, proposta pelo deputado Matheus Cadorin (Novo), reuniu lideranças políticas, meteorologistas, representantes do Ministério Público, de órgãos de infraestrutura e de entidades da sociedade civil para discutir medidas de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.

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“Se há um estado capaz de se organizar para enfrentar situações como essa, é Santa Catarina. Mas, diante das previsões, é fundamental que adotemos medidas desde já para que possamos atuar de forma integrada e coordenada”, afirmou Cadorin, ao anunciar a criação de um grupo de estudos para acompanhar o andamento das ações apresentadas e consolidar as sugestões debatidas.

O meteorologista Leandro Puchalski explicou que os sinais iniciais de aquecimento do Oceano Pacífico já foram observados, com elevação de 0,5 ºC na faixa equatorial, e que, mantida a tendência, o El Niño deve estar configurado a partir de junho, aumentando o volume de chuvas na Região Sul.

Ele ponderou, porém, que “o fato de termos El Niño não significa necessariamente que teremos enchentes de grandes proporções”, já que outros fenômenos podem minimizar ou potencializar seus efeitos, e que a intensidade das chuvas só poderá ser estimada com mais precisão a partir de setembro.

Marilene de Lima, meteorologista da Epagri, reforçou que, em Santa Catarina, os impactos mais significativos do El Niño costumam ocorrer na primavera, com maior concentração de chuvas em outubro e novembro, e que o fenômeno já está orientando estratégias voltadas ao campo.

Entre as medidas citadas estão a orientação sobre culturas mais suscetíveis a doenças em ambientes mais úmidos, o aproveitamento de áreas menos sujeitas a alagamentos e a avaliação sobre antecipar ou adiar safras, na tentativa de adaptar o agro ao cenário de maior frequência de eventos extremos.



Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/santa-catarina/santa-catarina-dobra-orcamento-para-prevencao-ao-el-nino/