O presidente do IRM (Instituto Rio Metrópole), Davi Perini Vermelho, o “Didê”, foi preso em uma operação do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro), na manhã desta quinta-feira (9). A ação é contra um esquema de devios de recursos públicos na instituição, que teria movimentado R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026.
Além de “Didê”, outras quatro pessoas foram presas. Elas são o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva, a ex-fiscal do IRM Caroline Soares Barros, conhecida nas investigações como a “Mulher da Mala” e Amanda Íthala Santos da Paschoa.
Ao todo, o GAESF/MPRJ (Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal) denunciou 11 pessoas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
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Publicado em 2026-07-09 11:24:30Investigações, contratos ilegais e os R$ 86 milhões
Segundo o Ministério Público, as investigações começaram após uma auditoria determinada pela gestão do governador em exercício Ricardo Couto.
A apuração aponta que o IRM celebrou contratos considerados ilegais que movimentaram R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026.
De acordo com a denúncia, empresas contratadas pelo instituto repassavam parte dos recursos ao Instituto BIO (Brazilian Institute of Organics). A entidade é apontada como “de fachada”. De lá, o dinheiro era sacado em espécie. Segundo o MP, o objetivo era dificultar o rastreamento de valores desviados.
Quem é quem na operação
- Davi Perini Vermelho (“Didê”) – presidente do Instituto Rio Metrópole e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti. Segundo a investigação, liderava o núcleo de agentes públicos, autorizando contratações, assinando contratos e controlando pagamentos.
- Franquis Dias Nepomuceno – delegado da Polícia Civil e diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM. Conforme o MPRJ, atuava como ordenador de despesas e exercia o controle do grupo RioForte, responsável pela escolta armada dos valores sacados em espécie.
- Marcelo Lopes da Silva – procurador do Estado e então chefe da Procuradoria-Geral do IRM. É acusado de emitir pareceres que deram respaldo jurídico às contratações e ao reajuste considerado irregular dos contratos.
- Caroline Soares Barros – ex-fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO. Apontada como a “Mulher da Mala”, é suspeita de realizar saques milionários em espécie dos recursos desviados. Segundo as investigações, ela contava com escolta armada de empresas de vigilância durante o transporte do dinheiro.
- Amanda Íthala Santos da Paschoa – sucedeu Caroline na fiscalização e atestou a execução dos contratos.
Foragido e pai de deputado
- Maurício Silva Knoploch dos Santos – diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação. Apontado como articulador do direcionamento das licitações em favor das empresas investigadas. É pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) e, até a última atualização desta reportagem, era considerado foragido.
Mandados e medidas cautelares
Além das prisões, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão na capital, em São Gonçalo e Teresópolis.
Outros seis denunciados também são investigados por participação no esquema. Para parte deles, a Justiça determinou medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar o país.
O que diz o Governo do Rio
“A operação realizada hoje pelo Ministério Público (MPRJ) é fruto de um trabalho conjunto entre os órgãos do Estado. O Governo do Estado identificou indícios de irregularidades nos contratos, por meio de auditoria realizada pela Controladoria Geral do Estado (CGE) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no Instituto Rio Metrópole (IRM).
Assim que os relatórios foram concluídos, o Governo do Estado encaminhou formalmente o material ao Ministério Público, órgão competente para conduzir investigações criminais.
O MP aprofundou a apuração, reuniu as provas necessárias e solicitou as medidas judiciais cumpridas nesta quinta-feira.
É importante destacar que o Instituto Rio Metrópole é uma autarquia cuja presidência possui mandato fixo de quatro anos. Diferentemente de cargos de livre nomeação e exoneração, a atual gestão foi nomeada na administração anterior e tem mandato até o final de dezembro de 2026.
O Governo do Estado reforça o compromisso com a transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e o combate à corrupção.”
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados.