No imaginário dos brasileiros, o direito de questionar autoridades encontra limites quando envolve o STF. (Foto: Luiz Silveira/STF)

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No programa Última Análise desta segunda-feira (08), os convidados falaram a respeito da pesquisa do Instituto Sivis, que revelou que 57,5% dos brasileiros acreditam ser proibido criticar publicamente o Supremo Tribunal Federal (STF). Realizada em abril deste ano, com 1.109 entrevistados, ela demonstrou que muitos creem que “acusar publicamente o STF de prejudicar a democracia” é algo proibido no país. Já em 2023, esse índice era de 35%.

"A estrutura do STF causa este efeito, em que as pessoas começam a medir suas palavras e internalizar esta sensação de temor. Assim, o que antes era uma hipótese, a pesquisa mostra que é uma realidade. É o retrato da cultura do medo", diz o professor da FGV Daniel Vargas.

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A explicação para esse crescimento expressivo, segundo Sara Clem, pesquisadora do instituto, é que ele não nasce apenas de um desconhecimento técnico, mas faz parte do acirramento da polarização política.

"Os dados são preocupantes", completa Jamil Assis, diretor do instituto. "Na última vez em que fizemos esta pergunta, não chegava a 40%. Hoje ele chega a estes 57, 5%. É um número bastante alto de pessoas e vai muito além de uma discussão partidária", avalia.

Caso Henry Borel

Na última quinta-feira (04), a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, acusada de participação na morte do próprio filho, Henry Borel, em março de 2021. Embora o júri tenha decidido condenar a ré por homicídio culposo, a magistrada afirmou que a mãe do garoto foi vítima de uma cultura patriarcal que, supostamente, exige o ideal da “mãe perfeita”.

"O grande problema foi o uso de frases como 'patriarcado'. Na verdade, a mulher, a própria mãe, tem um dever claro. No mínimo, ela deve manter a criança saudável", critica a advogada Fabiana Barroso.

Vargas critica o uso de tais "categorias sociológicas" na fundamentação de decisões judiciais. "Elas ocupam o espaço da realidade e passam a ser referências. Assim, substituem os fatos, que deveriam ser a verdadeira base de informações", ele explica.

O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.

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