A poucos meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, integrantes do Partido Republicano divergem sobre a condução da guerra no Irã. Enquanto parte do partido mantém apoio irrestrito a Donald Trump, outro grupo está insatisfeito com os rumos do conflito e seus efeitos sobre a economia americana.

Durante o Live CNN desta terça-feira (13), a correspondente da CNN em Nova York, Priscila Yazbek, detalhou as divisões internas no partido republicano.

Entre os que defendem o governo, a linha argumentativa é de que os Estados Unidos devem encerrar o conflito em nome da segurança nacional, acusando os democratas de quererem simplesmente abandonar o confronto.

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O presidente da Câmara dos Representantes e forte aliado de Trump, Mike Johnson, reconheceu que o conflito tem contribuído para o aumento dos preços, mas afirmou que a tendência é de normalização.

O Comitê Nacional Republicano, por sua vez, declarou que os democratas passaram uma década financiando o regime iraniano e que os eleitores terão de escolher entre um partido comprometido em desarmar o Irã e outro que não resolve a situação.

Por outro lado, vozes dissidentes dentro do próprio partido começam a se fazer ouvir. Um senador da Virgínia afirmou que a guerra “se tornou uma grande confusão” e que os republicanos precisam responder melhor às preocupações econômicas dos americanos.

“Ele também falou que os republicanos passaram meses dizendo que iam ficar tudo bem, e que os americanos estão vivendo uma situação muito difícil enquanto Trump estaria ‘vivendo numa caverna’, sem ver o que a população está passando”, destacou Yazbek.

Um estrategista republicano do Arizona foi ainda mais direto ao afirmar que “só tem uma pessoa no país que não se importa com os preços da gasolina” e que essa mesma pessoa define os rumos do país, em referência a Trump.

Para ele, os republicanos vivem agora um delicado exercício de equilíbrio: manter o apoio a Trump e, ao mesmo tempo, demonstrar empatia com os eleitores que sofrem os efeitos econômicos do conflito.

Yazbek também relatou o que os democratas vêm apresentando em suas campanhas: “Estão aproveitando a impopularidade do conflito e estão usando muito isso. Eles falam que é ‘desprezível’ o fato de o presidente Trump estar alheio ao sofrimento dos americanos com o aumento dos preços.”

O preço da gasolina, que estava abaixo de US$ 3 o galão antes do início do conflito, já ultrapassa os US$ 4.

Divisão no Congresso e pressão eleitoral

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada recentemente revelou que a aprovação de Donald Trump atingiu o pior nível do mandato atual: apenas 33% dos americanos aprovam sua gestão, enquanto 64% a reprovam.

Entre os principais motivos de insatisfação, destaca-se justamente a guerra no Irã. Apenas três em cada dez eleitores aprovam a forma como o conflito vem sendo conduzido, sem previsão de desfecho ou data para encerramento.

A atual composição da Câmara dos Representantes conta com os republicanos ocupando 218 cadeiras, contra 212 dos democratas, além de quatro vagas e um independente.

No Senado, a margem é um pouco mais confortável: 53 republicanos contra 45 democratas e dois independentes que costumam votar com o partido opositor.

É justamente essa configuração que torna as eleições de novembro um fator decisivo para os republicanos, que começam a questionar a estratégia de Trump.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/republicanos-divergem-sobre-guerra-entre-estados-unidos-e-ira/