Reforma tributária pode aumentar passagens de avião em 23%
IATA alerta, em reunião no Rio de Janeiro, que novo imposto pode encarecer voos domésticos e internacionais no Brasil; Fernando Nakagawa acompanhou a discussão
A reunião anual da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), realizada no Rio de Janeiro, trouxe um alerta preocupante para os passageiros brasileiros: as passagens aéreas podem ficar ainda mais caras. Dois fatores tipicamente brasileiros foram apontados como responsáveis pelo possível aumento nos preços.
O principal fator de preocupação é a reforma tributária aprovada no Congresso Nacional. No Agora CNN, Fernando Nakagawa, que acompanhou o evento, o setor aéreo afirma que a reforma, da forma como foi aprovada, deve gerar um aumento expressivo nos preços das passagens.
O novo imposto, o IVA, deve ficar entre 26% e 27%, o que, segundo as empresas do setor, impactará diretamente os custos repassados aos passageiros.
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Publicado em 2026-06-07 17:37:15Os números apresentados pela IATA no Rio de Janeiro são significativos. Na média, uma viagem doméstica que hoje custa R$ 650 deve subir 23%, chegando a R$ 800 por trecho. Já os voos internacionais devem registrar aumento ainda maior, de 26%, elevando o valor médio de US$ 740 para cerca de US$ 935 — o equivalente a R$ 4.675.
O Ministério da Fazenda, no entanto, nega que o impacto seja dessa magnitude, argumentando que o setor aéreo estaria ignorando a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários nas compras realizadas pelas companhias.
"O fato é que a confusão está instalada, o debate está instalado e as empresas aéreas estão reclamando da reforma tributária", afirmou Nakagawa.
Volume de processos judiciais também pressiona os preços
Além da reforma tributária, outro problema nacional foi destacado durante a reunião: o elevado número de processos judiciais movidos por passageiros contra as companhias aéreas.
Segundo a IATA, no Brasil há um processo na Justiça para cada 227 passageiros que viajaram de avião. Nos Estados Unidos, esse número é de apenas um processo para cada 1,2 milhão de passageiros.
Esse volume de ações judiciais, segundo a entidade, faz com que as passagens brasileiras custem entre 3% e 5% a mais do que deveriam, apenas para cobrir despesas que superam R$ 1 bilhão por ano com advogados e tribunais.
Nakagawa relatou ter conversado com John Rodgerson, CEO da Azul Linhas Aéreas, que explicou que, apesar de algumas iniciativas da Justiça e da ANAC, o problema está se agravando — inclusive com o uso da inteligência artificial como fator de aceleração das demandas. "Isso impacta todos os brasileiros que estão pagando essa conta", disse Rogerson.