Reforma tributária: empresas deixam impacto para segundo plano, diz ROIT
Segundo levantamento, 34% das médias e grandes companhias do país ainda não realizaram qualquer projeção sobre o impacto das alterações no fluxo de caixa
Uma pesquisa da ROIT revelou que parte significativa das empresas brasileiras ainda não está preparada para as mudanças trazidas pela reforma tributária.
Segundo o levantamento, 34% das médias e grandes companhias do país ainda não realizaram qualquer projeção sobre o impacto das alterações no fluxo de caixa, a menos de 100 dias do início da transição para o novo modelo de cobrança sobre consumo, com a implementação do IBS e da CBS.
De acordo com Ricardo de Holanda Janesch, vice-presidente executivo da ROIT, muitas das companhias analisadas — algumas inclusive de capital aberto — têm concentrado seus esforços na adequação tecnológica, deixando em segundo plano a projeção dos impactos financeiros.
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Publicado em 2026-09-27 14:06:36"Estão negligenciando em certa medida essa projeção de impactos financeiros. A gente sabe que emitir a nota é importante, os sistemas são importantes, mas entender os números, entender em que medida o fluxo de caixa será impactado, as demonstrações financeiras serão impactadas, também são importantes", destacou.
Janesch avaliou que, apesar do prazo reduzido, ainda é possível realizar as projeções necessárias.
"Temos um prazo relativamente curto, mas a quantidade de informações que a entregamos para o governo e a organização das empresas permitem que a gente tenha uma base de dados sólida para conseguir fazer essa análise de impactos", afirmou.
Segundo ele, o mais importante é que as empresas priorizem efetivamente essa tarefa.
Entre os riscos para as empresas que não se prepararem adequadamente, Janesch apontou dois efeitos principais.
O primeiro é a precificação inadequada de produtos e serviços: sem mensurar os impactos tributários, uma empresa pode manter preços que a façam perder resultado, ou deixar de conceder descontos em linhas de produtos com carga tributária reduzida, perdendo mercado.
O segundo risco, descrito como o mais crítico, é o do fluxo de caixa. "Grande parte das empresas que a gente já analisou, 93%, tem algum impacto negativo em relação ao capital de giro", revelou.
Primeiro trimestre de 2027 exigirá mais capital de giro
Janesch alertou que, embora a reforma tributária tenda a ser positiva para as companhias no longo prazo, o primeiro trimestre de 2027 deve representar um aumento na demanda por capital de giro.
Isso ocorre porque alguns serviços devem ficar mais caros em termos de desembolso imediato, uma vez que os créditos tributários só são aproveitados após o pagamento inicial.
"Quem não entender que provavelmente entre janeiro e fevereiro do ano que vem vai precisar ter mais dinheiro disponível para fazer o giro da sua operação, provavelmente vai ter uma surpresa negativa no primeiro trimestre", advertiu, ressaltando que o problema é agravado pelo atual patamar elevado da taxa de juros.
Outro dado preocupante da pesquisa indica que somente 24% das empresas afirmam ter uma base de dados 100% cadastrada, auditada e saneada.
Janesch explicou que, com a mudança do Pis/Cofins para a CBS, grande parte da apuração tributária passará a depender de parâmetros de sistema, como vínculos entre códigos de produto e códigos de tributação.
Se essas configurações não estiverem corretas, há grande chance de apurações incorretas, o que pode resultar em pagamentos a mais ou a menos — e, neste último caso, em penalidades futuras.
Diante desse cenário, Janesch elencou três prioridades para as empresas que ainda não iniciaram sua preparação: mensurar os impactos da reforma, realizar o saneamento da base de dados e capacitar as equipes.
"É muito difícil montar uma estratégia assertiva se a gente não entender qual o tamanho do impacto", afirmou.
Ele destacou ainda que a reforma tributária é, acima de tudo, uma questão de negócio, exigindo que as empresas compreendam seus efeitos sobre a cadeia econômica, o fluxo de caixa e os modelos de negócio, e não apenas os aspectos estritamente tributários.