Quem é Marlene Soccas, candidata ao Senado por Santa Catarina
Ex-militante da VPR, Marlene foi presa e torturada durante a ditadura e participou da fundação do PT
Marlene de Souza Soccas, 91 anos, é candidata da UP (Unidade Popular) ao Senado por Santa Catarina. Segundo o histórico de candidaturas disponível no TSE, esta é a segunda vez que ela concorre a um cargo eletivo.
Em 2014, Marlene disputou o governo de Santa Catarina pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) e recebeu 3.927 votos. Neste ano, é a candidata mais velha na disputa pelo Senado em todo o país e a terceira mais velha entre os candidatos a todos os cargos. Seus suplentes são Adriana Rio (UP) e Professor Jacson (UP).
Nascida em 25 de setembro de 1934, em Laguna, Marlene vive em Criciúma e é dentista aposentada. Formou-se em Odontologia pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Santa Catarina, posteriormente incorporada à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Décadas mais tarde, também se graduou em História pela Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense), em 2010.
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Publicado em 2026-09-18 22:54:26Sua militância política começou décadas antes das candidaturas. Em 1963, conheceu Paulo Stuart Wright, então deputado estadual de Santa Catarina. Em depoimento à CNV (Comissão Nacional da Verdade), Marlene atribuiu à convivência com Wright papel importante em sua formação política.
Já em São Paulo, aproximou-se de organizações de oposição à ditadura e militou na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Posteriormente, afastou-se da organização por discordar da luta armada e defender o trabalho político junto aos trabalhadores nas fábricas.
Em 10 de maio de 1970, Marlene foi presa em São Paulo por agentes da Oban (Operação Bandeirantes). Em depoimento à CNV, relatou ter permanecido 12 dias no centro clandestino, onde foi submetida a torturas como choques elétricos, pau-de-arara, palmatória e cadeira do dragão. Depois, passou 45 dias no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) antes de ser transferida para o Presídio Tiradentes.
Marlene também prestou depoimento à CEV (Comissão Estadual da Verdade) de Santa Catarina, em 2013. Segundo a Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), ela permaneceu presa por cerca de dois anos e meio.
Após deixar a prisão, voltou a Criciúma e participou de movimentos ligados aos direitos humanos e à redemocratização. Contribuiu com a criação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos e ajudou a fundar a subseção de Criciúma do Comitê Brasileiro pela Anistia, na qual atuou como secretária.
Em 1980, Marlene esteve entre os fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores) e assinou a ata de fundação da legenda, mas deixou o partido em 1982 por divergências ideológicas. Em 1985, filiou-se ao PCB.
No registro da candidatura apresentado à Justiça Eleitoral, Marlene não declarou bens.
Além de Marlene Soccas, concorrem às duas vagas de Santa Catarina no Senado Afrânio Boppré (PSOL), Ana Lucia da Silveira Machado (UP), Carlos Bolsonaro (PL), Carol (PCO), Carol De Toni (PL), Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP), Jeferson Rocha (PRD), Joaninha de Oliveira (PSTU), Lunelli (MDB), Marcos Dorval (PSTU) e Túlio de Amorim Pfuetzenreiter (Missão).