Quem é Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Paraná
Ex-procurador da Lava Jato busca retornar à política após ter mandato de deputado cassado em 2023
Deltan Dallagnol (Novo), 46 anos, é candidato ao Senado pelo Paraná nas eleições de 2026. Natural de Pato Branco (PR), ele concorre com Professor Picler (PL) e Markenson Marques dos Santos (Novo) como suplentes.
A candidatura foi aprovada pelo TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) por 4 votos a 3 em setembro, mas a decisão ainda pode ser questionada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Deltan Martinazzo Dallagnol nasceu em Pato Branco, no Paraná, em 15 de janeiro de 1980. É formado em Direito e construiu a maior parte da carreira no MPF (Ministério Público Federal).
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Publicado em 2026-09-18 08:40:45Antes de entrar para a política, atuou como procurador da República por quase duas décadas.
Após a cassação, Dallagnol deixou o Podemos e se filiou ao Novo, partido pelo qual disputa o Senado neste ano. Ele integra a coligação Fortaleza do Paraná, formada em torno da candidatura de Sergio Moro (PL) ao governo do estado. Além de Dallagnol, a chapa apresenta Filipe Barros (PL) como candidato ao Senado.
Dallagnol deixou o Ministério Público Federal em 2021 e entrou oficialmente na política nas eleições de 2022, quando se filiou ao Podemos e concorreu à Câmara dos Deputados pelo Paraná. Foi eleito com 344.917 votos, tornando-se o deputado federal mais votado do estado naquele pleito.
O mandato, porém, durou poucos meses. Dallagnol ganhou projeção nacional ao integrar e coordenar a força-tarefa da Operação Lava Jato, investigação que apurou esquemas de corrupção envolvendo a Petrobras, empreiteiras e agentes públicos.
Durante o período, se tornou um dos principais rostos da operação e passou a defender medidas de combate à corrupção, incluindo mudanças na legislação para aumentar punições e facilitar a recuperação de dinheiro desviado.
Cassação do mandato
Em maio de 2023, o TSE cassou por unanimidade o registro da candidatura de Dallagnol. Na ocasião, o relator do caso, ministro Benedito Gonçalves, entendeu que o então parlamentar cometeu fraude contra a Lei da Ficha Limpa quando pediu exoneração do MPF 11 meses antes das eleições, ao mesmo tempo em que enfrentava processos internos na instituição, os quais apuravam a conduta do então procurador da Operação Lava Jato. Estes processos poderiam levar à demissão e, em consequência, à inelegibilidade de Dallagnol.
Deltan Dallagnol se candidatou às eleições de 2022 e o TRE aprovou o registro de candidatura. Houve recurso ao TSE. Por não haver decisão definitiva, ele participou da eleição, elegeu-se e assumiu o cargo. Em seguida, o caso foi julgado pelo Tribunal Superior e o registro de candidatura foi cassado. A Câmara confirmou a decisão alguns meses depois. A Câmara dos Deputados confirmou a perda do mandato em junho daquele ano.
A decisão gerou críticas de aliados de Dallagnol e de juristas que questionaram a interpretação da legislação eleitoral. O caso voltou a ter impacto na eleição de 2026, quando a elegibilidade passou novamente a ser discutida pela Justiça Eleitoral.
Propostas
Entre as principais bandeiras de Dallagnol está o combate à corrupção. Ele defende a retomada e atualização das chamadas “10 Medidas contra a Corrupção”, com foco no aumento das punições e na recuperação de recursos desviados.
Na área de segurança pública, apoia a prisão após condenação em segunda instância e o endurecimento das penas para crimes considerados graves. Também defende a redução da maioridade penal para 16 anos em casos como crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.
Além dele, concorrem Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Dr. Rosinha (PT), Filipe Barros (PL), Gleisi Hoffmann (PT), Joaquim do MLB (UP), Karen Guerreiro (Missão) e Marcelo Marcelino (PCO).
Nas eleições deste ano, cada eleitor paranaense poderá escolher dois nomes para o Senado. Os eleitos terão mandato de oito anos.
*Com informações de Natalia Souza, colaboração para a CNN Brasil