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Qual a melhor IA para investimentos financeiros?

Ferramentas de inteligência artificial podem ajudar a analisar investimentos, comparar produtos e automatizar carteiras, com as devidas precauções

Natasha Meneguelli

A inteligência artificial (IA) pode ser usada como ferramenta de apoio para várias atividades e setores, inclusive o de investimento financeiros. Resumo de relatórios, organização de gastos, comparação de investimentos e simulações são alguns exemplos de uso.

Contudo, isso não significa que a tecnologia consegue prever o mercado ou eliminar a possibilidade de perdas, ou que substitua analistas profissionais. Também é importante diferenciar duas formas de relação entre inteligência artificial e investimentos.

Uma delas é usar IA para investir, seja na análise de ativos, na organização financeira ou na automação de uma carteira. A outra é investir na própria indústria de IA, por meio de ações, Brazilian Depositary Receipts (BDRs), fundos ou ETFs ligados ao setor.

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Como funciona o investimento com a ajuda da IA?

Investir com IA significa utilizar algoritmos ou modelos de linguagem para organizar dados, explicar conceitos, simular cenários, filtrar ativos, acompanhar uma carteira ou executar uma estratégia previamente definida.

Assistentes generalistas, como ChatGPT, Gemini e Claude, podem ajudar a resumir documentos, estruturar análises e comparar alternativas.

Já agentes de plataformas financeiras especializadas podem sugerir carteiras e, em determinadas modalidades, realizar tarefas complexas como aplicações e rebalanceamento do portfólio automaticamente.

O Inter, por exemplo, tem a Seven, assistente de IA lançada este ano e integrada ao seu aplicativo e a todo o seu ecossistema financeiro. Por estar dentro da plataforma da instituição financeira, ela consegue se basear nas informações dos usuários dentro do sistema de cibersegurança já existente.

A tecnologia, porém, tem limitações. A IA pode inventar informações, trabalhar com números desatualizados ou interpretar documentos de maneira incorreta. Por isso, uma resposta gerada pela ferramenta não deve ser transformada diretamente em uma ordem de compra.

Dados importantes devem ser conferidos em fontes oficiais, como B3, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Banco Central, Tesouro Direto e documentos das empresas analisadas.

Ou seja, na prática, a IA funciona melhor como uma ferramenta de apoio. Ela processa informações e ajuda a estruturar o raciocínio, mas a decisão e a responsabilidade continuam com o investidor.

Como usar IA para investir?

As aplicações da inteligência artificial nos investimentos podem ser divididas em quatro tipos:

  • Organização financeira: categorização de despesas, projeção de entradas e saídas e cálculo de uma quantia mensal para investir que seja compatível com o seu orçamento
  • Pesquisa e análise: resumo de balanços e relatórios, explicação de indicadores, comparação de produtos e simulação de cenários de investimento de curto, médio e longo prazo
  • Construção e acompanhamento da carteira: identificação de concentrações, organização de vencimentos e criação de rotinas de revisão para não perder o controle do seu portfólio
  • Automação: uso de agentes que realizam tarefas mais complexas, ainda que com a devida autorização, aprovação e programação do usuário

A qualidade da resposta em cada um deles depende da forma como a pergunta é feita. O prompt de investimento — que é a instrução, comando ou pergunta digitada na ferramenta — deve reunir quatro elementos: contexto, dados, restrições e formato da resposta.

Assim, para obter respostas mais úteis, o investidor pode informar à ferramenta seu objetivo, prazo, perfil de risco, necessidade de liquidez e valor disponível para investir.

Contudo, vale lembrar que dados pessoais ou financeiros sensíveis não devem ser compartilhados. Muitas plataformas, principalmente as gerais e não associadas a uma instituição financeira na qual você tem conta, não garantem a proteção integral dos seus dados.

Exemplos de prompts que podem ser usados

Para organização financeira

“Atue como um assistente de organização financeira. Quero construir uma reserva financeira de R$ [valor]. Posso investir R$ [valor] por mês. Organize um plano de acompanhamento considerando aportes mensais, prazo, liquidez e necessidade de acesso rápido ao dinheiro. Não recomende produtos específicos sem antes indicar quais informações precisam ser verificadas.”

Para comparação entre CDB e Tesouro Selic

“Compare as opções de renda fixa que vou informar, considerando rentabilidade bruta e líquida estimada, liquidez, prazo, tributação, riscos e condições de resgate. Mostre os cálculos em uma tabela e deixe claras todas as premissas. Use somente os dados fornecidos e sinalize quais informações precisam ser confirmadas em fontes oficiais.”

Para simulação de aportes mensais

“Simule quanto posso acumular investindo R$ [valor] por mês durante [X] meses. Considere as taxas de rentabilidade que vou fornecer e apresente o valor total dos aportes, os rendimentos estimados e o saldo final. Faça também cenários com taxas diferentes e explique que os resultados são projeções, não garantias.”

Para criar uma rotina de acompanhamento

“Crie uma rotina mensal para acompanhar minha carteira de renda fixa. Inclua itens como saldo, rentabilidade, vencimentos, liquidez, concentração por emissor, tributação e novos aportes. Organize a rotina em uma checklist simples.”

Para organizar diferentes objetivos financeiros

“Tenho três objetivos: reserva de emergência de R$ [valor], viagem de R$ [valor] em [X] meses e aposentadoria de longo prazo. Ajude a organizar esses objetivos por prazo, necessidade de liquidez e tolerância a risco. Não indique produtos ainda; primeiro mostre quais características de investimentos seriam compatíveis com cada objetivo.”

Passo a passo

1. Organize o seu orçamento

Identifique quanto pode ser investido sem comprometer despesas essenciais. Isso pode ser feito com a ajuda da inteligência artificial ou de ferramentas e aplicativos que já use para organização de gastos.

2. Defina seus objetivos

Seja para reserva de emergência, viagem internacional, aposentadoria ou intercâmbio, é preciso saber para que objetivo está investindo e qual o prazo que possui até o momento de usar o dinheiro que rendeu das aplicações.

3. Colete dados confiáveis

Priorize fontes oficiais e de instituições financeiras regulamentadas para separar taxas, balanços, históricos de preços e outras informações que serão disponibilizadas para comparação pelas ferramentas de IA.

4. Peça comparações e simulações

Solicite cálculos, identificação de riscos e de cenários com base em contextos que influenciam a modalidade de investimento que é o seu objetivo. No caso de aplicações internacionais, por exemplo, fatores da geopolítica mundial e a variação de taxas de câmbio são essenciais.

5. Valide antes de agir

Confira prazos, liquidez, custos, tributação e outros detalhes antes de investir. Por não ter todos os seus dados, a ferramenta de IA dificilmente consegue identificar todos os detalhes e níveis de risco da operação financeira.

Qual a melhor IA para investimentos?

A verdade é que não é possível afirmar se a ferramenta X ou Y de inteligência artificial é a melhor para te ajudar a investir. Isso vai depender não só de como as plataformas foram desenvolvidas e de como suas atualizações melhoraram ou pioraram seu desempenho, mas também das suas preferências pessoais.

Contudo, há alguns pontos que podem ser usados para comparar cada uma delas:

  • Assistentes generalistas: opções como ChatGPT, Gemini e Claude podem ser usadas para explicar conceitos, resumir documentos, estruturar análises e criar cenários
  • Ferramentas de pesquisa com fontes: podem ajudar a localizar notícias, indicadores e documentos recentes. Nesse caso, é importante conferir o material original, e não apenas o resumo produzido pela IA
  • Ferramentas de análise: soluções financeiras especializadas combinam inteligência artificial com bases de mercado e regras próprias. A ferramenta BridgeWise, disponível na Área do Investidor da B3, por exemplo, processa centenas de indicadores e produz relatórios sobre empresas
  • Robo-advisors de instituições financeiras: são voltados à construção de carteiras de acordo com perfil, objetivos e prazo, com diferentes níveis de automação

Lembre-se de observar questões como origem e atualização dos dados, metodologia, autorização regulatória quando aplicável, custos, política de privacidade e possibilidade de supervisão humana.

FAQ - Perguntas frequentes sobre uso de IA em investimentos

Qual a melhor IA para investimentos financeiros?

Não existe uma IA universalmente melhor para investimentos. A escolha depende da finalidade: assistentes generalistas podem ajudar em pesquisas e análises, enquanto ferramentas financeiras especializadas podem oferecer dados de mercado, análise de ativos ou automação de carteiras.

A IA pode prever o mercado financeiro?

Não há garantia de previsão dos mercados. A IA identifica padrões e processa dados, mas pode usar informações desatualizadas, interpretar documentos incorretamente e não antecipar eventos inesperados.

É seguro usar IA para investir?

A IA pode ser usada como ferramenta de apoio, desde que suas informações sejam verificadas em fontes confiáveis e dados financeiros sensíveis não sejam compartilhados desnecessariamente.

IA substitui um profissional de investimentos?

Não necessariamente. A IA pode automatizar tarefas de pesquisa e análise, mas possui limitações e não elimina a necessidade de avaliação humana e de validação das informações antes de uma decisão financeira.

O que é um prompt de investimento?

Um prompt de investimento é a instrução ou pergunta fornecida a uma ferramenta de inteligência artificial para realizar uma determinada tarefa relacionada às finanças.

Para obter respostas mais úteis, o prompt pode informar contexto, dados, restrições e formato esperado da resposta, além de objetivo, prazo, necessidade de liquidez e tolerância a riscos.

O que é um robo-advisor?

Robo-advisor é uma solução digital que utiliza algoritmos para auxiliar na construção e no gerenciamento de carteiras de investimentos.

Dependendo da instituição e do serviço contratado, pode considerar perfil, objetivos e prazo do investidor e automatizar determinadas tarefas, como alocação ou rebalanceamento de ativos.

Quais são os riscos de usar IA para investir?

Entre os riscos estão a geração de informações incorretas, uso de dados desatualizados, interpretação equivocada de documentos e conclusões baseadas em premissas inadequadas.

Também existem riscos relacionados à privacidade quando dados financeiros ou pessoais são inseridos em ferramentas de IA. Por isso, a informação produzida pela ferramenta deve ser validada antes de qualquer decisão.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/negocios/qual-a-melhor-ia-para-investimentos-financeiros/