O Quartel-General da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) identificou uma onda que classificou como “descomunal” de fake news circulando nas redes sociais e em grupos de WhatsApp e Telegram. Diante do cenário, a equipe passou a discutir estratégias para combater ativamente a disseminação de desinformação na reta final do processo eleitoral. A apuração é da âncora da CNN Débora Bergamasco ao CNN 360°.
Entre os conteúdos falsos identificados, estão afirmações de que Flávio Bolsonaro pretenderia privatizar o SUS, acabar com o Bolsa Família, extinguir o 13º salário e eliminar direitos previstos na CLT — informações que a campanha nega veementemente.
Estratégias de resposta às fake news
Uma das possibilidades levantadas é que o próprio Flávio Bolsonaro responda diretamente às mentiras, declarando publicamente que não tem intenção de adotar as medidas atribuídas a ele.
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Publicado em 2026-10-07 19:21:43Outra frente prevista é a adoção de uma linha de fact-checking, nos moldes do que grandes veículos de imprensa já praticam, utilizando dados e o próprio plano de governo para desmentir as informações falsas.
Além disso, a campanha considera fortemente a judicialização, buscando rastrear a origem das fake news para responsabilizar seus autores.
Débora Bergamasco destacou que a desinformação identificada pela campanha inclui o uso de inteligência artificial para a criação de cards — peças gráficas com informações falsas — que são então distribuídos em grupos nas redes sociais.
Segundo ela, a facilidade proporcionada por essa tecnologia amplia significativamente o alcance e a velocidade de disseminação do conteúdo manipulado.
Fake news x debate político legítimo
O âncora da CNN Iuri Pitta fez uma distinção importante entre o debate político legítimo e a disseminação de desinformação.
Ele observou que ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegaram a afirmar publicamente que programas como o Pé de Meia e a Farmácia Popular poderiam ser ameaçados caso Flávio Bolsonaro fosse eleito — e que esse tipo de debate, por ser de natureza política, é considerado legítimo.
No entanto, o mesmo participante ressaltou que há uma diferença fundamental entre expressar uma opinião política e atribuir ao candidato declarações que ele nunca fez. “Daí a tratar como verdade ou atribuir, colocar na boca do candidato algo que ele não disse, aí sim é disseminar desinformação, é mentira”, afirmou.
Ele também lembrou que, em campanhas passadas, candidatos do PT foram alvos de fake news sobre supostas políticas de sexualização nas escolas — conteúdos igualmente falsos.
Débora Bergamasco confirmou que Flávio Bolsonaro não fez qualquer menção ao Pé de Meia nem à Farmácia Popular ao longo de sua campanha.