Professora questiona razões para inquérito sobre Lulinha estar no STF
Em entrevista ao WW, professora da FGV analisa novo pedido de investigação sobre Lulinha e questiona por que inquérito tramita no STF
O novo pedido de investigação relacionado a Fábio Luís Lula da Silva voltou a acender o debate jurídico no Brasil. Em entrevista ao WW desta segunda-feira (3), Luisa Moraes Abreu Ferreira, professora de Direito Penal da FGV, comentou o caso.
Ela destacou que o embate entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, gera, em primeira instância, um estranhamento no cidadão comum. "A gente fica sem saber quem está protegendo quem e quando."
Um dos pontos centrais levantados pela professora diz respeito à própria competência do STF para conduzir a investigação. Ela classificou a decisão como "muito curiosa, para dizer o mínimo".
Recomendamos para você
Apple tira Telegram do ar por violação de regras sobre abuso infantil
Logo do Telegram. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Arquivo A Apple afirmou nesta segunda-feir...
Publicado em 2026-08-04 01:08:09
Antes de pausa, Ariana Grande refletiu sobre fama em disco delicado, mas pouco marcante
Antes de anunciar pausa, Ariana Grande cantou sobre relação com holofotes no disco ‘Peta...
Publicado em 2026-08-04 01:00:15
Por que as denúncias contra Davi Alcolumbre e outros senadores estão paradas?
Conselho de Ética do Senado está parado desde 2024, travando 19 denúncias contra parlamentares, i...
Publicado em 2026-08-04 00:51:00"Claro que pode ser que tenha alguma conexão, que já esteja claro qual seria a conexão com um agente público com foro por prerrogativa de função, mas, por enquanto, a gente não sabe", observou Ferreira.
O que foi divulgado até o momento, segundo a professora, é que Lulinha seria um suposto sócio-oculto de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "careca do INSS".
No entanto, ela ressaltou que ainda há muito a ser esclarecido para estabelecer uma relação clara entre Lulinha, Antunes e algum agente com foro privilegiado que justifique a presença do inquérito no STF.
"É preciso entender por que este caso está no Supremo, se há conexão com o caso do INSS que justifique que este caso esteja sob a relatoria do André Mendonça", afirmou a professora.
Ela explicou que, de acordo com o que foi relatado pela imprensa, a Polícia Federal teria pedido uma distribuição livre do inquérito. A PF teria argumentado que o caso não teria necessariamente ligação com as demais investigações envolvendo Lulinha e, portanto, não precisaria ser direcionado a André Mendonça.
A professora observou que, contudo, ao chegar ao STF, o processo foi distribuído justamente ao ministro, o que indicaria que a Corte reconheceu uma conexão entre os inquéritos.
"E eu me pergunto: quem é que quer que este caso esteja com o André Mendonça? O Supremo gosta de estar com casos que eles querem ter algum tipo de controle, mas qual ala do Supremo se interessa [pelo caso]", questionou Ferreira.
A professora também levantou dúvidas sobre os motivos pelos quais a Polícia Federal não desejava que o caso ficasse sob responsabilidade do ministro, e se isso se deveria a uma eventual cobrança mais rigorosa da PF por parte de Mendonça.
Do ponto de vista jurídico, Ferreira apontou que permanecem em aberto três questões fundamentais: Qual é a conexão do novo inquérito com os demais, por que foi necessária a abertura de um novo procedimento investigativo e qual é a autoridade com foro privilegiado que justifica que o caso esteja no STF e não na primeira instância, como ocorre em uma investigação comum.
"A gente sabe que este caso não tem nada de comum, mas, quando se traz uma investigação para o Supremo Tribunal Federal, isso precisa ser bem justificado", concluiu a professora. Ela lembrou que debate semelhante já ocorreu no âmbito da ação penal sobre a trama golpista.