Pressionada, campanha de Lula troca "legado" por propostas de "futuro"
Choque de reação passa por linha propositiva com medidas sobre saúde, educação e reforma do judiciário
Ao mesmo tempo em que reforçará ataques ao adversário Flávio Bolsonaro (PL), a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu fazer ajustes para se dedicar menos ao legado do petista e focar mais em propostas concretas de futuro.
O time de Lula estava decidido até então a gastar tempo para apresentar o candidato contando sua história. A aposta no passado e na trajetória, no entanto, não ajudou a alavancar intenção de voto. Pelo contrário: a campanha foi sendo atropelada pelo noticiário negativo sobre Lulinha, Marcola e a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e, sem conseguir reagir, viu Lula piorar nas pesquisas.
Nos últimos dias, o QG fez dezenas de reuniões e convocou ainda a executiva nacional do partido para discutir um choque de reação. As decisões passam por apresentar uma linha propositiva e detalhada nas áreas de segurança, saúde e educação para um eventual quarto mandato.
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Sob reserva, um integrante da campanha afirma que o objetivo não é vender terreno na Lua, com propostas que não podem ser cumpridas, mas sim falar do que tem base concreta e orçamentária para ser realizado.
Uma das principais frentes para esta reação é a propaganda na TV e no rádio. Na última quinta-feira (10), Lula levou seu programa a uma "nova fase". Serão abordadas promessas para uma série de áreas, e a primeira foi saúde.
O foco da estreia foi a promessa de redução na fila de espera de pacientes oncológicos. A principal proposta é a criação de centros de tratamento contra o câncer em cidades com mais de 150 mil habitantes e a construção de centros de radioterapia em todos os estados.
Na educação, o objetivo será apresentar propostas com foco no eleitorado feminino sobre ampliação de escolas integrais e de creches. A campanha identificou, por exemplo, que 20% das mulheres do país não conseguem trabalhar porque não têm onde deixar os filhos.
Na área de segurança, aliados de Lula reconhecem que estão patinando em propostas. O presidente mencionou em entrevistas a criação de uma guarda nacional, o que pegou o próprio time de surpresa. A avaliação é de que é preciso lapidar mais a proposta e trabalhar mais o discurso sobre o assunto, até aqui muito atrelado à ideia de recriação do Ministério da Segurança Pública.
O PT também testa o alcance de medidas sugeridas para uma reforma do Judiciário. Parlamentares apresentaram uma PEC que sugere idade mínima de 50 anos para ser ministro de tribunais superiores e mandatos de 10 anos. A medida teve aval do comando da sigla.
Lula tem endossado o discurso de que é preciso recuperar o prestígio e a credibilidade da Suprema Corte e de que a primeira reforma no Judiciário foi feita no governo dele.
O partido disparou ainda ordens aos candidatos a cargos no legislativo e nos estados para que subam o tom contra Flávio Bolsonaro.
A orientação é cobrar abertura de sigilo e reforçar ataques contra o principal adversário. A orientação do partido é para que haja uma cobrança enfática da abertura de sigilos completa no caso Master e para enfatizar o discurso de que Flávio é investigado e que Lula não está envolvido.