Premiê da Albânia rejeita renúncia em meio a protestos violentos

Protestos liderados por estudantes entram no terceiro dia; manifestantes depredam prédios e entram em confronto com a polícia, que usa jatos d’água e gás lacrimogêneo

O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, rejeitou nesta quinta-feira (15) os pedidos de renúncia enquanto milhares de manifestantes liderados por estudantes quebravam janelas e entravam em confronto com a tropa de choque na capital, que utilizou jatos d’água e gás lacrimogêneo.

Os manifestantes expressaram indignação com o custo e a qualidade da educação, suspeitas de irregularidades e um acordo para vender partes do litoral sul do país, conhecido por suas paisagens preservadas, para a construção de um resort de luxo apoiado por Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Eles exigiram a renúncia de Rama e afirmaram que ninguém havia dado atenção às suas preocupações durante meses de protestos, em grande parte pacíficos, no verão europeu contra o empreendimento.

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Em uma declaração por escrito enviada à Reuters, Rama rejeitou os pedidos para deixar o cargo.

“Minha responsabilidade é ouvir, abordar as preocupações legítimas e manter a Albânia avançando. A alternativa seria uma traição aos albaneses que me deram um mandato sólido para concluir as negociações de adesão à União Europeia (UE)”, afirmou.

Uma estudante que se identificou como Kiara afirmou que o custo de vida, as poucas perspectivas de emprego e a corrupção eram as principais questões.

“Nosso primeiro-ministro é o significado da palavra corrupção. Você só consegue trabalhar na sua área se conhecer alguém que conhece alguém”, disse ela, com o rosto coberto por uma máscara, como muitos dos manifestantes que foram às ruas nesta quinta-feira.

Os protestos, que chegam ao terceiro dia, representam o maior desafio até agora para Rama, que conquistou um quarto mandato no ano passado, tendo a adesão à UE como um dos principais pontos de sua campanha. O Parlamento cancelou a sessão prevista para esta quinta-feira enquanto a violência voltava a ocorrer nas proximidades.

Rama, cujo governo nega as acusações, afirmou que estaria disposto a discutir a alta dos custos da educação, mas acrescentou: “Atacar instituições, destruir patrimônio público e ameaçar a segurança pública não tem nada a ver com as reivindicações legítimas dos estudantes”.

As ruas de Tirana estavam cobertas de lixeiras queimadas, pontos de ônibus destruídos e semáforos quebrados.

Nuvens de gás lacrimogêneo se espalhavam pelo centro da cidade. Manifestantes atiraram pedras contra a polícia, que utilizou jatos d’água para dispersá-los. Na Praça Skanderbeg, no centro da capital, policiais atingiram com cassetetes manifestantes que fugiam, enquanto turistas observavam a cena.

Albânia quer entrar na UE

Escândalos políticos e a atuação de grupos criminosos que buscam lavar dinheiro do tráfico de drogas e de armas têm prejudicado a imagem da Albânia e complicado seus esforços para ingressar na UE, segundo analistas políticos.

Juntamente com Montenegro, a Albânia está atualmente entre os países dos Bálcãs mais avançados no processo de adesão ao bloco e pretende ingressar na União Europeia já em 2028.

“A corrupção precisa ser enfrentada e, como a própria UE reafirmou recentemente, a Albânia está combatendo esse problema como nunca antes”, afirmou Rama à Reuters.

“Talvez algumas forças, dentro e fora do país, não queiram que a Albânia tenha sucesso como pioneira no processo de adesão à UE. Mas não permitirei que a violência desvie a Albânia de seu futuro europeu”.

Em uma declaração publicada no X, uma missão da União Europeia na Albânia afirmou: “O diálogo construtivo é o único caminho a seguir”.

A turbulência faz parte de uma onda de mobilização estudantil na Europa. Na França, estudantes do ensino médio organizaram semanas de protestos e bloqueios de escolas, exigindo mais professores e melhores instalações. Eles argumentam que a deterioração dos prédios escolares e as salas de aula superlotadas estão prejudicando a educação.

 



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/premie-da-albania-rejeita-renuncia-em-meio-a-protestos-violentos/