Preços globais dos alimentos ficam estáveis em maio

Índice da FAO registrou leve queda de 0,2% no mês, mas ainda permanece próximo a máxima dos últimos três anos

Fernanda Pressinott, , São Paulo

Os preços mundiais dos alimentos ficaram praticamente estáveis em maio, segundo acompanhamento da FAO (Agência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). O índice da entidade - que mede a variação de preços de uma gama de produtos - registrou 130,8 pontos no mês, uma queda de 0,2 pontos (0,2%) em relação ao nível revisado de abril.

Os aumentos nos preços de cereais e açúcar foram compensados ??por quedas nos preços de óleos vegetais e laticínios, enquanto o índice de proteínas permaneceu quase inalterado.

Em comparação com os níveis históricos, o indicador em maio ficou 3,7 pontos (2,9%) acima do registrado um ano antes, mas ainda permanece 29,4 pontos (18,4%) abaixo do pico atingido em março de 2022.

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Maiores altas 

Entre as maiores altas no mês, os preços dos cereais subiram 2,9 pontos (2,6%) em relação a abril e de 5,3 pontos (4,9%) em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os preços mundiais do trigo subiram pelo quarto mês consecutivo em maio, impulsionados por safras menores previstas nos principais países exportadores, incluindo os Estados Unidos. No caso do milho, a menor oferta no Brasil e EUA e o aumento da demanda foram responsáveis pela alta.

O açúcar, por sua vez, teve alta de 6,6 pontos (7,5%) em relação a abril, marcando o nível mais alto desde outubro de 2025, mas permanecendo 14,3 pontos (13,1%) abaixo do nível de um ano atrás. Conforme a FAO, o aumento foi impulsionado por preocupações com a oferta global.

"Nas principais regiões produtoras do Brasil, dados que mostram uma menor participação da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar e isso eleva as expectativas de maior direcionamento para o etanol, sustentando os preços mundiais do adoçante", escreveu a FAO, em relatório.

Principais baixas

Entre as baixas do mês, os óleos vegetais registraram uma queda de 9,0 pontos (4,6%) em relação a abril, marcando o primeiro declínio mensal desde o início de 2026.

Após cinco meses consecutivos de alta, os preços internacionais do óleo de palma recuaram, refletindo as expectativas de menor demanda global por importações e a incerteza nos mercados de petróleo bruto. Já os preços mundiais do óleo de soja apresentaram tendências mistas, com o aumento sazonal da oferta exportável pressionando os preços na América do Sul, enquanto a demanda firme por biocombustíveis sustentou os valores nos Estados Unidos.

No que diz respeito aos lácteos, a FAO registra uma queda de 0,5 ponto (0,5%) em relação a abril e 34,5 pontos (22,4%) abaixo do nível registrado um ano antes.

Os preços internacionais da manteiga continuaram a cair tanto na Europa quanto na Oceania, devido à melhoria na oferta de gordura do leite. Os preços do queijo recuaram apenas marginalmente, enquanto os valores do leite em pó desnatado aumentaram ainda mais, principalmente na Europa. A FAO também afirma que os preços do leite em pó integral apresentaram desenvolvimentos mistos.

Por fim, as carnes subiram 0,1% em relação ao valor revisado de abril e 7,7 pontos (6,3%) acima do nível de um ano antes. As cotações mais altas para carne bovina e ovina, juntamente com um modesto aumento nos preços da carne de aves, foram quase totalmente compensadas por uma queda nos preços da carne suína.

Segundo a FAO, a demanda chinesa mantém as cotações da carne bovina. Ao mesmo tempo, a reconstrução contínua dos rebanhos em vários dos principais países produtores.

"Os preços da carne de aves subiram ligeiramente, com os preços mais altos no Brasil, sustentados pela forte demanda global. Em contrapartida, os preços da carne suína caíram, principalmente devido aos preços mais baixos na União Europeia, em meio à oferta abundante e à demanda de importações moderada", conclui a FAO.

 



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/precos-globais-dos-alimentos-ficam-estaveis-em-maio/