Precisamos de reformas para controlar trajetória da dívida, diz economista
Dívida bruta do governo atingiu 82,9% do PIB em agosto; economista defende reformas fiscais e agenda de produtividade
O Relatório de Estatísticas Fiscais do Banco Central revelou que a Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 82,9% do PIB em agosto, o equivalente a R$ 11,1 trilhões. O resultado representa um aumento de 0,3 ponto percentual, com quase R$ 10 bilhões provenientes do déficit do setor público consolidado.
Em entrevista ao CNN Money, o economista Arnaldo Lima defendeu a necessidade de reformas estruturantes para estabilizar a trajetória da dívida pública brasileira.
Para ele, o avanço na arrecadação — que cresce mais de 11% em termos reais — é positivo, mas insuficiente diante do crescimento das despesas obrigatórias. "Precisamos de reformas estruturantes para que podermos equilibrar a trajetória de dívida", afirmou.
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Publicado em 2026-10-04 01:06:19Trajetória crescente até 2030
Arnaldo Lima alertou que a projeção indica uma trajetória crescente da dívida até 2030. Segundo ele, o ponto mais crítico não é o nível atual da dívida, mas sim a necessidade de estabilizar seu crescimento.
"O mais importante do que o nível da dívida em si é estabilizar o seu crescimento", destacou. O economista também ressaltou que, pela metodologia do FMI, a dívida bruta brasileira chega a 94,5% do PIB, patamar superior à média de 77% dos países emergentes.
Lima apontou que a taxa de juros e as despesas obrigatórias são os principais fatores que pressionam a dívida bruta. Ele destacou ainda a diferença entre o governo central — que registrou déficit de quase R$ 15 bilhões — e os governos regionais e estatais, que foram superavitários, somaram aproximadamente R$ 4,7 bilhões.
"O equilíbrio das contas públicas não é uma função só do ministro da Fazenda, mas do setor público como um todo", disse.
Agenda de desindexação e produtividade
Para além do ajuste fiscal, Arnaldo Lima defendeu uma agenda ampla de desindexação e aumento de produtividade. Ele apontou que a existência de crédito direcionado que não obedece às condições de mercado obriga o Banco Central a elevar os juros mais do que o necessário para controlar a inflação.
"O fiscal é uma condição necessária, mas não o suficiente para o desenvolvimento", afirmou.
O economista também chamou atenção para o impacto do salário mínimo nas contas públicas. Segundo ele, embora o nível atual do salário mínimo não represente problema para o mercado de trabalho privado, seu reflexo nas despesas públicas prejudica a consolidação fiscal.
Lima destacou ainda que a taxa de juros real brasileira está entre as mais elevadas do mundo, o que compromete a formação bruta de capital fixo no país e limita o crescimento potencial da economia.