A pré-campanha de Romeu Zema (Novo) à presidência da República tem como principal objetivo nacionalizar o nome do ex-governador de Minas Gerais. Segundo apuração do analista de Política da CNN Pedro Venceslau junto a fontes com trânsito na campanha, a meta central é que Zema saia do processo eleitoral maior do que entrou.
As fontes ouvidas por Venceslau fizeram uma análise honesta e pragmática sobre o processo eleitoral. Elas admitiram que será muito difícil vencer a eleição e quebrar a polarização, cenário que, segundo essa avaliação, só se alteraria em caso de uma situação extrema e improvável.
Objetivos além da vitória
Ainda que a vitória seja considerada improvável, a pré-campanha de Zema estabeleceu outros focos estratégicos.
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Publicado em 2026-06-30 16:24:01O primeiro deles é ajudar o Partido Novo a superar a cláusula de barreira, que exige a eleição de pelo menos seis deputados federais para que a legenda possa operar plenamente no Congresso Nacional, com direito a liderança, recursos do fundo partidário, fundo eleitoral e tempo de televisão.
Outro objetivo é levar para o debate as bandeiras do Partido Novo, como a da privatização, popularizando a legenda em âmbito nacional.
Segundo a fonte ouvida por Venceslau, há ainda a consciência de que os demais candidatos — além de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — compartilham do mesmo cenário polarizado e buscam, no fim, crescer nacionalmente e valorizar seu espaço para uma eventual negociação no segundo turno.
A campanha de Zema conta com pouco mais de R$ 37,4 milhões, valor que será distribuído entre a candidatura presidencial e as campanhas para deputado federal, deputado estadual, governador e senador. Por isso, segundo as fontes, a campanha terá de ser, no mínimo, espartana.
Sobre a relação com Flávio Bolsonaro, alvo de críticas de Zema, a fonte indicou que a ideia não é sinalizar uma reconciliação neste momento, mas que conversas poderão ocorrer em um eventual segundo turno, caso Flávio chegue a essa fase e caso Lula não vença no primeiro turno.
Disputa no Paraná
No Paraná, quinto maior colégio eleitoral do país, Ratinho Júnior lançou como candidato à sua sucessão Sandro Alex, ex-secretário de Infraestrutura do PSD.
Por ser um nome pouco conhecido, o atual governador iniciou uma ofensiva para transferir votos ao aliado, aproveitando seus 80% de aprovação. A estratégia inclui vídeos, alguns produzidos com inteligência artificial, nos quais o governador simbolicamente passa a braçadeira para Sandro Alex.
Outros materiais de campanha fazem críticas indiretas a Sérgio Moro, sem citar seu nome, destacando a importância da experiência de governo e afirmando que o senador conhece o Brasil, mas não o Paraná.
A leitura no entorno de Ratinho Júnior é que Moro busca nacionalizar o debate, enquanto a estratégia local é regionalizá-lo, mostrando as entregas do governo estadual e evitando o embate entre bolsonarismo e petismo.
A campanha de Sandro Alex tem evitado mencionar candidatos à presidência, embora Ratinho Júnior já tenha declarado apoio a Ronaldo Caiado do PSD para o palanque presidencial.