União Europeia deve reabrir mercado de pescados após uma década
Auditores europeus vem ao Brasil em junho inspecionar setor de pescados, na primeira visita desde que as exportações foram suspensas em 2018
A missão do DG-Sante (Direção-Geral da Saúde e da Segurança dos Alimentos da Comissão Europeia) deve visitar o Brasil entre os dias 8 e 19 de junho. Será a primeira visita, desde 2017, após auditores da União Europeia apontarem uma série de "não-conformidades" sanitárias em embarcações de pesca brasileiras.
As exportações de pescados para o bloco foram suspensas pelo Ministério da Agricultura em 03 de janeiro de 2018. Uma medida de "autoembargo" preventivo e temporário para o país se adequar as exigências.
Toda a cadeia de produção foi impactada. "As 'não-conformidades' de 2017 estavam estritamente ligadas à pesca extrativa. Mas a interpretação da época acabou penalizando também a aquicultura de cultivo, que sempre manteve um rigoroso controle de qualidade” explica Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura).
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Desde então o governo passou a trabalhar com programas de certificação para embarcações de pesca e indústrias implementando uma série de medidas para o controle higiênico-sanitário da cadeia produtiva de pescado nacional a fim de atender as recomendações das autoridades sanitárias europeias.
De acordo com a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados) a indústria de pescados investiu fortemente em qualidade, controle, rastreabilidade e segurança alimentar.
As inspeções serão feitas em unidades de processamento de pescados em Pernambuco, Ceará e Paraná, e também em embarcações de pesca industrial no Rio Grande do Norte e em Santa Catarina. Durante a visita os auditores vão avaliar toda a cadeia de pesca, incluindo unidades de processamento e também de cultivo.
Embora o Ministério da Pesca ofereça o suporte, a coordenação oficial é do Ministério da Agricultura, entidade legalmente autorizada a mediar as negociações comerciais e sanitárias, atuando com a Secretaria de Defesa Agropecuária.
“O mercado europeu é o segundo maior comprador depois do mercado asiático. A expectativa em retomar as vendas é grande. É um mercado a ser conquistado”, completa Medeiros da Peixe BR.
As estimativas do Ministério da Pesca e Aquicultura e da Abipesca são de acrescentar US$ 250 milhões às exportações do Brasil com a retomada da relação comercial, Outro passo será incluir os pescados brasileiros no acordo comercial UE-Mercosul com redução de tarifas.