Todos os seis planos de governo apresentados pelos principais candidatos na disputa pela Presidência da República são insuficientes no que diz respeito à estabilização da dívida pública, de acordo com condições projetadas em uma análise realizada pelo Ranking dos Políticos.

O estudo considerou 1.297 propostas dos candidatos: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).

De todas as propostas analisadas, apenas 478 puderam ser qualificadas ao teste, em que considerou-se custo, economia e compatibilidade com as restrições orçamentárias vigentes, dispensando qualquer avaliação de mérito, constitucionalidade ou viabilidade de aprovação no Congresso Nacional.

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Destas 478, 217 consideraram-se como viáveis, 249 como parcialmente viáveis e 12 inviáveis. Das que se enquadraram como inviáveis, nove estão no plano de governo do Partido Missão; e outras três no do Partido Liberal.

Esse resultado não decorre de esses dois planos serem mais ambiciosos que os demais, e sim de serem os dois que atribuem cifra explícita aos seus compromissos de maior volume“, explica um trecho do documento.

Veja como ficou cada plano de governo:

O plano de Zema é o primeiro colocado no ranking. Isso porque, segundo o levantamento, é o único em que a faixa de resultados, seguindo os cenários estipulados, chega a cruzar o zero em determinado momento. O problema, no entanto, é que tal resultado dependeria de uma reforma previdenciária em que os maiores efeitos ocorreriam apenas depois do mandato.

Augusto Cury – em segundo lugar – é o único candidato que possui plano de meta fiscal próprio, mas que, ainda assim, é insuficiente para estabilizar a dívida. Ele aparece praticamente empatado com Zema.

O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, apresenta o plano metodologicamente mais claro no que diz respeito às consequências fiscais das propostas. O problema, no entanto, está na regra fiscal proposta pelo presidenciável: “o novo mecanismo seria menos restritivo que o arcabouço atualmente vigente. Além disso, o plano não identifica de maneira concreta quais despesas seriam cortadas para financiar suas medidas”.

O estudo avalia que diversas propostas apresentadas ampliam ou preservam despesas públicas. No entanto, apenas 29% das propostas puderam ser classificadas, de forma que o resultado calculado representa apenas o que foi possível mensurar.

Flávio aparece em último lugar no ranking: “Por isso, a posição no ranking não deve ser interpretada como uma avaliação completa de todo o programa, mas como resultado daquilo que foi possível mensurar dentro dos critérios estabelecidos.”

Ranking

Método

Cada plano foi testado contra o Relatório de Acompanhamento fiscal de número 113 da IFI (Instituição Fiscal Independente), de junho de 2026, e também contra outras duas restrições que estão em vigor: o limite de crescimento real de despesa do arcabouço fiscal e a regra de ouro, prevista na Constituição.

“O mesmo cenário-base vale para os seis candidatos, e é isso que torna os planos comparáveis entre si”, diz um trecho do estudo.

Principal desafio ao vencedor

Segundo a análise, a Instituição Fiscal Independente estima que o governo precisaria alcançar um superávit primário equivalente a 2,1% do PIB para estabilizar a dívida bruta. A projeção para 2026, porém, é de um resultado primário negativo, de 0,4% do PIB.

Isso significa que, para chegar ao nível considerado necessário para estabilizar a dívida, seria preciso um esforço fiscal adicional de 2,5 pontos percentuais do PIB – cerca de R$ 342 bilhões por ano. Esse é o tamanho do ajuste que, segundo a estimativa, já seria necessário antes mesmo de considerar novas promessas de gastos feitas durante a campanha eleitoral, independentemente de quem vencer a eleição.



Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/planos-de-presidenciaveis-sao-insuficientes-para-conter-divida-diz-estudo/