As pessoas são mais produtivas quando a carga horária de trabalho diária e semanal é menor. Mas a redução da escala de trabalho é uma mudança que precisa ser pensada junto ao setor privado, e não decidida pelo governo.
“É preciso ouvir a todos. A redução da carga de trabalho vem acontecendo de tempos em tempos ao longo da história. E vai continuar acontecendo. Mas não é algo que deve ser imposto”, afirmou Christopher Pissarides, Prêmio Nobel de Economia de 2010 e entrevistado do Capital Insights, programa de entrevistas fruto da parceria entre a Broadcast e o CNN Brasil Money.
O professor, que é uma referência mundial em mercado de trabalho e políticas de emprego, afirma que é errado dizer que a redução da escala de trabalho, como a aprovada pelo Congresso Nacional, vai gerar inflação.
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Publicado em 2026-06-04 20:48:02Ele argumenta que essa é uma afirmação precipitada e que a mudança na carga horária gera efeitos diferentes, dependendo de muitas condições da economia e do país.
Na entrevista, o Nobel e professor da London School of Economics afirmou ser contra o modelo de remuneração do empregado por hora trabalhada. Ele diz que, quando opta por esse modelo, a empresa transfere o risco do negócio para o trabalhador. “O risco do negócio é da empresa”, diz.
O Nobel de Economia também declarou ser contra a negociação individualizada dos contratos de trabalho, dos direitos e deveres do trabalhador. “O empregado sempre estará numa situação de menor força do que a empresa”, disse.
Portanto, a negociação dos contratos deve ser feita por sindicatos profissionais e de forma coletiva para a massa dos trabalhadores, segundo Pissarides.
Já para vagas seniores, funções de gerência, Pissarides entende que as negociações podem ser feitas individualmente. “Já é feito assim”, afirma.