Pesquisa revela como as mulheres escolhem métodos contraceptivos no Brasil
Levantamento da Libbs, com apoio da Febrasgo, ouviu 500 mulheres e identificou receios sobre efeitos hormonais e influência das redes sociais na decisão
Uma pesquisa conduzida pela farmacêutica Libbs, com apoio da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), investigou como as brasileiras buscam informações, quais fatores influenciam suas decisões e quais dúvidas levam aos consultórios quando o assunto é método contraceptivo. O levantamento foi realizado em abril de 2026, com 500 mulheres de 16 a 45 anos, de diferentes classes sociais e de todas as regiões do país.
O estudo foi desenvolvido em um contexto de ampla circulação de conteúdos sobre contracepção na internet, especialmente nas redes sociais. Segundo os dados, 58% das entrevistadas procuram informações nesses ambientes antes de conversar com um profissional de saúde. Apesar disso, 70% afirmam confiar mais nos profissionais da área do que em outras fontes de informação.
Os resultados também revelam uma diferença entre a percepção de eficácia e a confiança nos métodos contraceptivos. Embora 92% das participantes considerem a pílula anticoncepcional eficaz para prevenir a gravidez, apenas 18% dizem confiar no método.
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Publicado em 2026-10-18 17:33:51Entre as principais preocupações estão os possíveis efeitos dos hormônios no organismo. De acordo com a pesquisa, 74% das mulheres têm medo dos efeitos colaterais da pílula e 59% acreditam que os hormônios podem desregular o corpo. Além disso, 45% consideram necessário interromper o uso do medicamento para o organismo descansar, enquanto 22% associam o contraceptivo à infertilidade permanente.
O levantamento identificou ainda que seis em cada dez entrevistadas acreditam em pelo menos uma informação falsa sobre contracepção, incluindo afirmações relacionadas a ganho de peso, infertilidade e câncer.
Redes sociais influenciam a decisão
Apesar da influência do ambiente digital, a orientação médica continua sendo relevante para a tomada de decisão. Segundo o estudo, 77% das entrevistadas afirmam se sentir mais tranquilas após receber explicações claras de um profissional de saúde. Por outro lado, 45% gostariam de ter mais espaço durante a consulta para discutir os riscos e benefícios de cada método, enquanto 53% dizem perder a confiança quando percebem falta de empatia no atendimento.
Para o ginecologista Vitor Maga, consultor em contracepção, o acesso a uma grande quantidade de conteúdo não significa, necessariamente, acesso a informações de qualidade. Relatos pessoais, evidências científicas e informações incorretas podem aparecer simultaneamente nas buscas, o que reforça a importância de contextualizar os dados durante a consulta.
Diferenças regionais
A pesquisa também identificou variações regionais na percepção sobre contracepção. A pílula é o método mais lembrado em todas as regiões, com índices de 65% no Sul e no Norte.
A percepção de eficácia do medicamento chega a 94% no Sudeste e no Sul, 92% no Centro-Oeste, 87% no Norte e 85% no Nordeste. Já a percepção de segurança dos métodos contraceptivos para o organismo varia de 13% no Sul a 24% no Nordeste.
Segundo a Febrasgo, a escolha do método deve considerar o histórico de saúde, as necessidades, a rotina e os planos reprodutivos de cada mulher. A entidade defende que a orientação seja individualizada, com espaço para esclarecer dúvidas e discutir benefícios e riscos das opções disponíveis.