A três semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o Partido Republicano intensifica sua campanha para atrair o voto do eleitorado religioso. Esses votos são considerados potencialmente decisivos para o resultado da disputa entre republicanos e democratas nas midterms.
De acordo com a correspondente da CNN em Nova York, Priscila Yazbek, os evangélicos brancos representam apenas 13% da população dos Estados Unidos.
“Mas, essa parcela pode chegar a representar 20% do eleitorado, porque são eleitores que, até as eleições passadas, foram muito às urnas em apoio aos republicanos”, destacou Yazbek durante o CNN 360º desta terça-feira (13).
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Publicado em 2026-10-13 18:40:30No entanto, líderes religiosos têm demonstrado insatisfação com a ausência de uma ação coordenada do partido para mobilizar esse grupo.
Alguns críticos apontam que o esforço de mobilização recai principalmente sobre as igrejas, os pastores e organizações conservadoras, exigindo um empenho maior por parte do próprio Partido Republicano.
A insatisfação com a economia é apontada como um dos principais fatores que podem desestimular esses eleitores a comparecer às urnas. “O preço da gasolina hoje está em US$ 4,34 o galão, sendo que há um ano estava em US$ 3,08, portanto um aumento de mais de 40%“, afirmou Yazbek.
Como o voto não é obrigatório nos Estados Unidos, essa insatisfação pode se traduzir diretamente em abstenção.
Democratas disputam o voto cristão
Os democratas também entram na disputa pelo eleitorado cristão, inclusive com candidatos que são pastores. Um dos nomes de destaque é James Talarico, no Texas, que disputa uma vaga no Senado contra Ken Paxton.
Talarico, de 36 anos, é descrito como um cristão progressista. Já Ken Paxton, de 63 anos, é uma figura experiente do Partido Republicano, mas que já teve um impeachment aprovado na Câmara Estadual do Texas.
Posteriormente, Paxton foi absolvido e manteve o cargo. Mais recentemente, voltou aos holofotes após denúncias e após sua esposa acusá-lo de adultério, o que levou ao divórcio do casal depois de 38 anos de casamento.
“É um candidato que vem sofrendo muitas críticas e uma rejeição muito grande dos eleitores”, afirmou a correspondente.
O presidente Donald Trump chegou a afirmar, meses atrás, que Talarico era “um insulto a Jesus Cristo”. A declaração foi incorporada pela campanha de Talarico, que reverteu o ataque ao dizer que “um insulto a Jesus é tirar a saúde dos doentes, deportar famílias, bombardear crianças e ignorar os pobres”.
“Esse tema político e religioso virou um tema central dessa disputa no Texas, onde Talarico está à frente nas pesquisas contra o Paxton”, disse Yazbek.
Além dos evangélicos, os republicanos também enfrentam risco de perda de apoio entre católicos brancos e protestantes de igrejas históricas, como presbiterianos, metodistas, luteranos e episcopais, considerados menos ligados a Trump e mais suscetíveis a mudar o voto.
Trump como cabo eleitoral: aliado ou obstáculo?
Donald Trump mantém uma campanha intensa, buscando apoio em localidades que anteriormente não eram consideradas competitivas, redutos republicanos que agora apresentam candidatos democratas com desempenho expressivo nas pesquisas.
Yazbek destacou que, segundo dados divulgados, há uma probabilidade de até 80% de os democratas conquistarem a maioria na Câmara dos Representantes.
Já no Senado, onde os republicanos detinham uma vantagem de seis assentos, as chances dos democratas de obter maioria subiram para até 65%, em razão da pressão sobre os preços gerada pelo conflito no Irã.
Em comício realizado em Ohio, Trump pediu aos eleitores que “fingissem que ele estava nas cédulas“, em uma tentativa de estimular os republicanos a comparecer às urnas. Pesquisas da Reuters, no entanto, indicam maior entusiasmo entre os democratas para votar.
“Muitos quadros, até mesmo do Partido Republicano, não sabem mais se Trump é um bom cabo eleitoral ou não“, destacou a correspondente.
Segundo a correspondente, uma parte dos membros do partido tem se distanciado de Trump, sobretudo após declarações em que ele afirmou que a guerra no Irã seria “um preço pequeno” a ser pago pelos americanos em prol da neutralização da ameaça nuclear iraniana.
A posição tem gerado forte rejeição entre eleitores já insatisfeitos com os conflitos prolongados no Oriente Médio e com seus impactos nos preços.