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Janja nunca decepciona. Outro dia ela foi explicar o que significa o tal do “red pill” e soltou esta: pírula vermelha. E aí é aquela coisa. A gente ri, tripudia, chama de burra para baixo. Quando, cá entre nós, precisamos reconhecer que a palavra “pírula” é daqueles erros que soam melhor do que os acertos. Tipo “mortandela”, “mindigo”, “guspe” e “sombrancelha”. Mas não é sobre isso que quero falar hoje. É sobre...
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Ora, se até a Janja sabe, não é você que vai ignorar, né? O termo “red pill” é uma referência ao filme “Matrix”, do qual faço uma apressada leitura teológica: é Adão quem toma a pírula vermelha e passa a ignorar a Realidade do Criador, que não lhe agrada. Ele rejeita o Paraíso porque quer um paraíso adaptado à sua vontade. Por isso, amigo, é uma desgraça que esse filme seja tão influente. Mas tampouco é sobre isso que quero falar.
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Quero, na verdade, tentar juntar lé com cré e falar que me surpreendi com a notícia de que os astronautas da missão Artemis II foram acusados de serem meros “atores” por um pessoal aí, que diz ter tomado a tal pírula vermelha e por isso não acredita mais na realidade comum. Isto é, só acreditam numa versão própria da realidade. Uma versão atomizada, com pouquíssimos ou nenhum contato com as realidades alheias e/ou comuns. Uma versão da realidade que desconfia e nega a Realidade.
E aí eu fiz umas associações rápidas aqui entre a Janja, coitada, a viagem à lua e aquele filme que vi no extinto Cine Plaza, e pensei: caramba! Ninguém mais está disposto a acreditar no que vê. Muito menos no que lê. Paranoia virou virtude. E, com isso, nossas relações pessoais e com o mundo que nos rodeia vão ficando cada vez mais difíceis. Difíceis? Impossíveis! E é por isso que ecoo a terminologia janjiana e o refrão da música de Odair José para conclamar o leitor que chegou até aqui. E dizer: pare de tomar a pírula!