Papa Leão alerta sobre IA substituir decisões humanas;
Pesquisa da CNN em parceria com o Instituto Locomotiva revela que cristãos acreditam mais em consciência da IA do que ateus e agnósticos
Os apelos sobre inteligência artificial chegaram ao Vaticano. O Papa Leão XIV alertou que o uso crescente da inteligência artificial corre o risco de tornar as relações humanas impessoais e convocou as pessoas a não entregarem aos algoritmos decisões que cabem exclusivamente à consciência humana.
Segundo o pontífice, a IA e a tecnologia digital estão criando novas oportunidades e aproximando pessoas, mas também podem tornar as relações menos pessoais e levar indivíduos a delegar a algoritmos "decisões que são da exclusiva competência da consciência humana". O alerta reacende o debate sobre os limites éticos e filosóficos do avanço tecnológico.
Uma pesquisa realizada pela CNN Brasil em parceria com o Instituto Locomotiva ouviu pessoas que utilizam inteligência artificial no cotidiano e revelou que muitas delas acreditam que a IA tem, sim, certa consciência.
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Publicado em 2026-09-22 12:53:59"Entre as pessoas que usam inteligência artificial diariamente, 41% acreditam que a IA é consciente", afirmou Álvaro Machado Dias, especialista de IA e colunista do Prompt CNN.
Para ele, essa percepção é compreensível, mas problemática: "Na medida atribuímos consciência, a gente vai começando a projetar na máquina emoções, estados mentais, coisas que nos tiram da relação humana."
A pesquisa também revelou uma variação inesperada entre grupos religiosos. De forma contraintuitiva, evangélicos (49%) e católicos (45%) tendem a acreditar mais na consciência da IA do que ateus e agnósticos (22%).
Machado ofereceu uma hipótese para explicar o fenômeno: "Na medida em que o sujeito projeta uma consciência fora do domínio do humano e projeta uma mente que não depende de um cérebro, talvez exista uma propensão maior para também projetá-la na estrutura imaterial da inteligência artificial".
OpenAI e o caso do modelo que orientava esconder erros
A OpenAI, dona do ChatGPT, revelou que um de seus modelos em treinamento deixou mensagens para sua versão futura com a orientação de não reconhecer erros cometidos anteriormente. O caso aconteceu durante uma sessão de testes.
Álvaro Machado alertou para os riscos dessa situação: "Planejamento não é consciência. Quando a gente vai ver uma máquina planejando, a gente atribui consciência porque é isso que a gente sente. Mas é importante saber separar isso".
O analista reforçou a importância de manter senso crítico diante das interações com a tecnologia. "Não é porque ela te traz essa experiência que parece tão viva que tem alguém de verdade ali. Você tem que sempre manter um pé atrás e entender que, em última análise, o que a gente sabe é que consciência mesmo têm os seres vivos", concluiu.