Soldados israelenses dispararam uma granada de efeito moral nesta terça-feira (27) para dispersar palestinos que se reuniram em protesto contra uma operação militar de Israel que deslocou milhares de moradores de um bairro de Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel.
Os distúrbios ocorreram após a morte de dois soldados israelenses, baleados por homens armados palestinos em um posto de controle na semana passada, e enquanto os israelenses votavam em uma eleição na qual a política do país para a Cisjordânia se tornou uma das principais questões políticas.
Algumas autoridades palestinas acusaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de iniciar uma repressão na Cisjordânia para coincidir com a votação, como forma de mobilizar seus apoiadores de direita. O governo afirma que a operação é uma resposta ao ataque contra os soldados israelenses.
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Publicado em 2026-10-27 15:45:59Um grupo de homens, mulheres e crianças palestinos participou do protesto nesta terça-feira. Um idoso segurava um cartaz com a mensagem: “Não à punição coletiva, não aos bloqueios e não ao deslocamento”.
Os militares afirmaram ter disparado uma granada de efeito moral para dispersar os manifestantes e permitir a continuidade da operação.
Na segunda-feira, a ONU (Organização das Nações Unidas) informou que mais de 3 mil palestinos haviam sido obrigados a deixar suas casas devido à operação militar israelense. A ação teve como alvo bairros próximos ao posto de controle onde homens armados palestinos mataram os dois soldados israelenses na sexta-feira.
Em um comunicado divulgado no domingo, as Forças Armadas israelenses afirmaram que os soldados realizariam demolições na região. Os militares disseram que não encontraram armas durante as buscas nas casas.
Desde o ataque ao posto de controle, na sexta-feira, Israel bloqueou as entradas da maioria das cidades e localidades palestinas na Cisjordânia, restringindo severamente a liberdade de circulação dos palestinos.
Noura Nassar, uma moradora deslocada que participou do protesto, afirmou ter enfrentado dificuldades para conseguir atendimento médico por causa dos bloqueios.
Netanyahu e seu principal rival, Gadi Eisenkot, são contrários à criação de um Estado palestino independente ao lado de Israel. Moradores expulsos do bairro de Hebron disseram nesta terça-feira que a eleição israelense pouco mudaria a realidade nos territórios ocupados por Israel desde 1967.
O governo de Netanyahu supervisionou uma rápida expansão dos assentamentos israelenses, considerados ilegais por órgãos da ONU e pela maioria dos países, embora Israel conteste essa avaliação. Sob a coalizão de direita liderada por Netanyahu, também houve um aumento da violência de colonos extremistas contra palestinos.