A operação da Polícia Civil de São Paulo que teve como alvo contratos ligados ao programa Wi-Fi Livre Comunidades provocou incômodo entre integrantes do alto escalão da Prefeitura de São Paulo e gerou desconforto nos bastidores da aliança política que une o prefeito Ricardo Nunes (MDB) ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Fontes ouvidas pela CNN afirmam que auxiliares de Nunes consideraram a ação desta segunda-feira (1º) desnecessária e excessivamente ostensiva. Segundo esses interlocutores, parte dos documentos apreendidos pelos investigadores já estaria disponível em mecanismos de transparência da administração municipal.
Apesar do mal-estar, integrantes da Prefeitura evitaram atribuir responsabilidade ao governador. Nos bastidores, porém, alguns auxiliares veem “viés político” da operação atribuindo à Polícia Civil uma suposta ação de retaliação contra Tarcísio, que tem sido alvo de cobranças dos policiais nos últimos meses.
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Publicado em 2026-06-01 13:32:22Há meses, entidades da Polícia Civil pressionam o governo Tarcísio por valorização salarial, carreira e estrutura. Associações de delegados chegaram a cobrar publicamente o governador e alertaram para desgaste com a categoria.
Fontes próximas a Tarcísio, por sua vez, rejeitam essa interpretação. Segundo interlocutores do governador, a atuação da Polícia Civil demonstra justamente a independência dos investigadores e o fato de que as apurações não sofrem interferência política.
Essas fontes afirmam que Tarcísio acompanha o caso, mas não participa das investigações nem interfere no trabalho da corporação. A hipótese de que a operação possa representar algum tipo de retaliação da Polícia Civil ao governo estadual foi classificada por aliados do governador como “conjectura” e “especulação”.
A operação atinge um ambiente político marcado pela proximidade entre Tarcísio e Nunes. Durante a campanha municipal de 2024, o governador teve papel central na reeleição do prefeito e foi considerado por aliados um dos principais cabos eleitorais da candidatura. Os dois grupos também mantêm interlocução frequente em articulações políticas no estado.
Nos bastidores da Prefeitura, a avaliação é que a principal disputa da investigação ocorrerá em torno da execução do contrato do programa. A gestão municipal sustenta que os 3,2 mil pontos de internet previstos foram entregues e seguem em funcionamento.
A Operação Wi-Fi Livre cumpriu mandados em endereços ligados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), à produtora Go Up Entertainment e à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A Polícia Civil apura suspeitas de irregularidades na contratação e execução do programa, além de possíveis desvios de recursos públicos.
A CNN Brasil procurou a Secretaria estadual de Segurança Pública por um posicionamento e aguarda o retorno.