Um órgão de direitos humanos das Nações Unidas classificou, nesta segunda-feira (6), como arbitrária a detenção do médico de Gaza Hussam Abu Safiya e exigiu sua libertação imediata, enquanto grupos de direitos humanos e seu advogado alertavam que sua vida corria perigo iminente.
Em sua decisão, o Grupo de Trabalho da ONU sobre detenção arbitrária afirmou que as ações de Israel violavam vários artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, bem como do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.
“A medida adequada seria libertar o Sr. Abu Safiya imediatamente e garantir-lhe o direito a indenização e outras reparações”, declarou o grupo.
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Publicado em 2026-07-06 18:19:34O painel também levantou preocupações mais amplas, afirmando que o caso, um dos vários já submetidos, “pode ??indicar uma prática generalizada ou sistemática de detenção arbitrária no país”.
O serviço penitenciário de Israel e a missão diplomática israelense em Genebra não responderam imediatamente a um pedido de resposta. Segundo o grupo das Nações Unidas, o país não respondeu quando foi questionado sobre o caso em julho do ano passado.
O MENA Rights Group, uma ONG de advocacia que representa casos do Oriente Médio e da África do Norte, apresentou a denúncia.
Segundo o grupo de advocacia, o pediatra de 52 anos, diretor do hospital Kamal Adwan, em Gaza, está detido desde dezembro de 2024.
A organização relatou que ele foi submetido a repetidos períodos de confinamento solitário, interrogatórios prolongados e espancamentos com cassetetes e bastões de choque elétrico.
Mais cedo nesta segunda, seu advogado, Nasser Odeh, afirmou por meio de um grupo de apoio a prisioneiros que a saúde de Abu Safiya corria grave perigo e que ele vinha sofrendo abusos diários.
Imagens de vídeo de uma audiência na Suprema Corte no mês passado mostravam o médico visivelmente mais magro.
“Se o Dr. Abu Safiya morrer naquela cela, será um assassinato, e todos que tinham o poder de impedi-lo, mas não fizeram nada, serão cúmplices”, disse Steve Cutts, CEO da organização beneficente Medical Aid for Palestinians.
O Serviço Penitenciário de Israel já havia rejeitado as alegações de que Abu Safiya e outros médicos estariam sendo maltratados na prisão.
No mês passado, a Suprema Corte de Israel rejeitou um recurso para sua liberdade. A decisão baseou-se em “materiais confidenciais”, sob uma lei relativa aos chamados “combatentes ilegais”, que também permite a detenção por períodos renováveis ??indefinidamente.
As forças armadas de Israel acusaram Abu Safiya de ser membro do grupo militante palestino Hamas, o Movimento de Resistência Islâmica. Não foram apresentadas provas, e tanto o Ministério da Saúde de Gaza quanto o Hamas negaram a acusação.
O médico está entre pelo menos 14 médicos de Gaza que foram detidos em Israel, sem acusação formal, por mais de um ano.
De acordo com Tanya Boulakovski, chefe de pesquisa do MENA Rights Group, o caso dele é emblemático da “ação sistemática de Israel contra profissionais de saúde palestinos, o que contribuiu para o colapso do sistema de saúde de Gaza.”, disse Boulakovski à Reuters.